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Super Terça deixa Trump perto da uma revanche contra Biden

Fonte: BBC – Anthony Zurcher – Role, Correspondente da BBC na América do Norte

A chamada Super Terça, o maior dia de votação das primárias americanas, não foi tão emocionante neste ano devido a uma série de resultados previsíveis — como as vitórias esmagadoras de Donald Trump e Joe Biden, tornando ainda mais provável uma revanche do republicano contra o democrata nas eleições presidenciais de novembro.

Biden venceu as disputas pela indicação democrata em 14 dos 15 Estados que foram às urnas na terça-feira (5/3) – e também em Iowa, onde as pessoas votaram pelo correio –, mas perdeu no território de Samoa Americana por 11 votos.

As vitórias de Biden foram em: Alabama, Arkansas, Califórnia, Carolina do Norte, Colorado, Iowa, Maine, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Texas, Utah, Vermont e Virgínia.

Enquanto isso, Trump venceu 14 das 15 disputas republicanas – consolidando ainda mais sua ampla vantagem sobre a adversária Nikki Haley, embora ela tenha conquistado uma vitória inesperada em Vermont (com 49% dos votos, contra 45% de Trump). As vitórias de Trump foram em: Alabama, Alaska, Arkansas, Califórnia, Carolina do Norte, Colorado, Maine, Massachusetts, Minnesota, Oklahoma, Tennessee, Texas, Utah e Virgínia.

Veículos americanos estão anunciando que Nikki Haley deve fazer um pronunciamento às 10h desta quarta-feira (meio-dia no horário de Brasília) no qual deve anunciar sua desistência na corrida eleitoral. Mas houve algumas surpresas e alguns sinais de alerta tanto para Biden quanto Trump. 

Trump decola

Trump teve um desempenho avassalador, com vitórias em Estados de todo o país. 

“Eles chamam de Super Terça por uma razão”, disse Trump a apoiadores na Flórida. “Esta é das grandes.”

Algumas das vitórias foram surpreendentes pela sua dimensão: uma margem de 70% no Alabama, 61% no Texas, e cerca de 70% dos votos na Califórnia.

O ex-presidente vai sair com uma vantagem quase intransponível em número de delegados para representá-lo na Convenção Nacional Republicana, que acontece em julho, mesmo que tenha de esperar até a próxima semana para garantir matematicamente a nomeação republicana.

As pesquisas de boca de urna dão algumas indicações sobre por que o desempenho do ex-presidente foi tão avassalador.

Na Carolina do Norte, 43% dos eleitores republicanos que votaram nas primárias disseram que a imigração era a questão mais importante para eles — tema que tem estado no topo da agenda política de Trump desde que ele lançou sua primeira candidatura presidencial em 2015. 

Na Virgínia, 64% afirmaram que confiavam em Trump — e não em Nikki Haley, a adversária do ex-presidente na disputa pela nomeação republicana — para lidar com a segurança das fronteiras.

Os eleitores das primárias na Virgínia também disseram que queriam um candidato que compartilhasse dos seus valores e lutasse por pessoas como eles — qualidades que favorecem Trump —, acima da questão do temperamento e da elegibilidade.

elegibilidade do ex-presidente foi um dos argumentos centrais usados por Haley para tentar convencer os eleitores. Aparentemente, caiu por terra.

Biden enfrenta voto de protesto por Gaza

Nas primárias em Michigan, na semana passada, mais de 100 mil eleitores — 12% do total — optaram pelo voto “descomprometido”, em vez de escolher o presidente em exercício, como parte de um protesto organizado contra a guerra em Gaza.

Esse fenômeno foi observado novamente na terça-feira. Em Minnesota, a opção “descomprometido” obteve aproximadamente 20% dos votos — e superou essa marca nos condados ao redor de Minneapolis, a maior cidade do estado.

Na Carolina do Norte, um dos poucos Estados verdadeiramente decisivos para as eleições gerais no calendário da Super Terça, 12% dos eleitores votaram na opção “sem preferência”.

“Os números desta noite mostraram que o presidente Biden não pode reconquistar nossos votos apenas com retórica”, disse a porta-voz da campanha Vote ‘Uncommitted’ Minnesota, Asma Nizami. 

“Mais de 35 mil habitantes de Minnesota deixaram claro que os democratas querem que Joe Biden mude suas políticas.”

Grupos pró-Palestina já estão de olho nas primárias da próxima semana no estado de Washington, que tem uma população considerável de ativistas de esquerda. 

Se a campanha de Biden esperava que Michigan, com a sua grande população de árabes-americanos, fosse o início e o fim dos votos de protesto contra o atual presidente, a Super Terça terá sido uma surpresa desagradável.

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