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Política

Mesada e viagens internacionais: as relações perigosas entre Vorcaro e Ciro Nogueira

Foto: Montagem

Presidente do PP é alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga recebimento de valores ilícitos do dono do Banco Master

Investigação da Polícia Federal (PF) aponta indícios de que o senador Ciro Nogueira (presidente do PP) recebia pagamentos mensais que variaram entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 

A relação entre eles também envolveria custeio de viagens internacionais, hospedagens e despesas em restaurantes. Além disso, Nogueira tinha acesso a voos privados e a imóveis de alto padrão pertencentes a Vorcaro. 

As informações integram representação que a PF apresentou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que resultou na deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (7).

Ainda segundo a PF, em troca dessas vantagens, o senador apresentava projetos de lei de interesse do banqueiro. Um deles foi a Emenda nº 11, que Nogueira apresentou à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em agosto de 2024. O texto, que depois ficou conhecido como Emenda Master, ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. 

De acordo com os investigadores, o texto foi elaborado por assessores do Banco Master e entregue na residência de Ciro Nogueira, para que ele apresentasse ao Congresso.

Segundo as investigações da PF, Vorcaro teria dito a interlocutores que a emenda “saiu exatamente como mandei” – fato que tinha potencial para “sextuplicar” os negócios do Master, provocando verdadeira “hecatombe” no mercado.  

Além de atual presidente do Partido Progressista (PP), Nogueira foi ministro-chefe da Casa Civil em 2021 e 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com base nos indícios apresentados pela PF e no parecer do Ministério Público, o ministro André Mendonça proibiu Ciro Nogueira de manter qualquer tipo de contato com investigados na Operação Compliance Zero, bem como testemunhas no inquérito.

Também decretou a prisão temporária, por cinco dias, de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como operador financeiro do banqueiro e operador da aquisição societária da Green Investimentos pela CNLF, empresa ligada ao deputado. Cançado foi detido na manhã de hoje.

Mendonça também proibiu o irmão de Ciro Nogueira, que operava a CNLF,  de deixar o país. Silva Nogueira Lima terá de usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas do inquérito da Compliance Zero.