Ex-presidente da Câmara e pré-candidato a deputado federal avalia cenário político, econômico e internacional e propõe projeto de longo prazo para o país
SÃO PAULO, 28 de março 2026 – O ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato a deputado federal pelo PT, João Paulo Cunha, afirmou que o Partido dos Trabalhadores e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisam adotar uma postura mais combativa diante dos desafios políticos e econômicos atuais.

A declaração foi feita durante o seminário “Desafios do Brasil e da Esquerda na Atual Crise Mundial”, organizado pelo próprio Cunha, que reúne lideranças políticas, especialistas e militantes para debater os rumos do país diante do cenário nacional e internacional.
Em sua análise, Cunha avaliou que o governo tem operado de forma excessivamente defensiva, o que compromete a capacidade de disputa política e narrativa. Segundo ele, há sinais de desgaste e fadiga que exigem reação mais assertiva.
“O governo e o partido precisam deixar de correr atrás dos fatos e passar a antecipar os movimentos. Quando se identifica um problema e não se age, ele se agrava”, afirmou.
No campo econômico, Cunha fez críticas à condução da política monetária e ao papel do Banco Central, questionando a manutenção de juros elevados e defendendo maior protagonismo do governo na definição da estratégia econômica.
“O Brasil não pode ficar refém de uma lógica que impede o crescimento. A discussão sobre juros e meta de inflação precisa ser enfrentada com responsabilidade, mas também com coragem política”, disse.

O ex-presidente da Câmara também destacou que o atual momento internacional é marcado por uma reorganização das forças globais, com impacto direto sobre a América Latina e, em especial, sobre o Brasil. Para ele, a atuação internacional dos Estados Unidos, especialmente sob influência de lideranças como Donald Trump, tem combinado uso de força e articulação de alianças estratégicas para reposicionar o equilíbrio global.
Cunha citou como referência episódios recentes e paralelos com a Guerra do Iraque para sustentar que narrativas internacionais podem ser utilizadas como justificativa para intervenções políticas e econômicas.
Nesse contexto, alertou para o risco de interferência externa no processo eleitoral brasileiro e para a crescente relevância do país no cenário internacional.
“O Brasil é peça-chave nesse novo tabuleiro global. Isso significa que nossas eleições e nossas decisões internas têm impacto além das nossas fronteiras”, afirmou.
O ex-presidente também chamou atenção para a necessidade de proteger a soberania nacional diante do interesse global por recursos estratégicos, como lítio e terras raras, e para o risco de construção de narrativas que fragilizem o país.
“Disputas geopolíticas envolvem interesses econômicos concretos. O Brasil precisa estar preparado para defender seus ativos estratégicos”, disse.
Pré-candidato a deputado federal, Cunha defendeu a construção de um projeto nacional de longo prazo, com horizonte de 10 a 20 anos, capaz de enfrentar simultaneamente desafios econômicos, sociais e ambientais. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá papel central na condução inicial desse processo.
Além disso, destacou a necessidade de reorganização da esquerda para o período pós-2030, com fortalecimento das instituições partidárias e redução da dependência de lideranças individuais.
“A sucessão política não pode estar baseada apenas em nomes. Precisamos construir uma força institucional capaz de sustentar um projeto de país no longo prazo”, afirmou.
Para João Paulo Cunha, o momento exige não apenas capacidade de gestão, mas visão estratégica e coordenação política. “O Brasil precisa decidir que país quer ser nas próximas décadas. E isso exige coragem para enfrentar os desafios e organização para construir o futuro”, concluiu.











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