Valor, que banca pagamento de aposentados e pensionistas de Osasco, está em fundos apontados como fraudulentos e pode ser perdido
O fundo de previdência do IPMO, da Prefeitura de Osasco, tem quase R$300 mil investidos em fundos ligados ao Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.
O fundo é formado por contribuições dos servidores da ativa e da prefeitura e garante o pagamento dos aposentados e pensionistas. Ele deve ser aplicado, pelo Instituto de Previdência, para gerar rendimentos e não sofrer com as perdas da inflação. Cada instituto municipal ou estadual tem autonomia para definir a estratégia de investimentos
Os valores estão investidos em fundos imobiliários apontados como fraudulentos, por operações com o Master. Além disso, a modalidade não é coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito do Banco Central. Com isso, há risco de R$300 mil sejam perdidos.
Outros fundos municipais e estaduais estão na mesma situação, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo com base em dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Ministério da Previdência.
O cruzamento indica que três previdências estaduais e 98 municipais colocaram recursos em cinco fundos de investimento conectados ao Banco Master. Esses fundos investiram em imóveis, empresas em que a família de Daniel Vorcaro (dono do Master) tem participação, como a BR Cemitérios, e em ações da Ambipar, que perderam valor após a empresa entrar em crise financeira e deixar de pagar fornecedores e credores.
São eles o fundo de investimento em ações Texas I e os de investimento imobiliário Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian Graveyard & Death Care.
No caso da previdência de Osasco, são R$ 247.019,00 investidos no São Domingos – Fundo de Investimento Imobiliário – FII e R$ 49.397,00 no Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário.
Antes do levantamento, o que se sabia era que muitos institutos de previdência haviam investido diretamente no Master, comprando letras financeiras do banco. Dezoito órgãos estaduais e municipais compraram R$ 1,8 bilhão em letras do Master sem garantia, entre eles o Amapá e o Rio de Janeiro.
O estudo da Folha de São Paulo vai além e mostra que mais de uma centena de institutos de previdência, que administram os recursos que bancam as aposentadorias de servidores públicos, foram também investidores indiretos do Master, aportando recursos por meio da compra de cotas em fundos de investimentos ligados ao banco de Vorcaro.
Para realizar o cruzamento, a Folha montou um mapa com a rede de fundos do Banco Master apontados por investigadores como fraudulentos. A lista foi cruzada com o banco de dados do Ministério da Previdência, que registra a carteira de investimentos de todos os regimes próprios de previdência do país.







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