Milhões de brasileiros devem assistir à entrada de estrelas de cinema no Dolby Theatre para a cerimônia do Oscar neste domingo, na esperança de ver um dos seus conquistar a estatueta pelo segundo ano consecutivo.
Por: Manuela Andreoni e Isabel Teles
Reuters
O filme brasileiro “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo a primeira indicação de um brasileiro a melhor ator para Wagner Moura, que ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em drama nesta temporada. O reconhecimento vem um ano depois de “Ainda Estou Aqui” ter conquistado o primeiro Oscar do país na categoria de melhor filme internacional, gerando orgulho e entusiasmo na nação de 213 milhões de habitantes.
Este ano, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso está indicado por seu trabalho em “Trem dos Sonhos”.
Entrevistas com uma dúzia de diretores, produtores, executivos e analistas mostram que duas décadas de investimento governamental, incluindo um recorde de US$ 267 milhões da Ancine (Agência Nacional de Cinema e Televisão) no ano passado, ajudaram o Brasil a aumentar o número de longas-metragens produzidos, ampliar as parcerias internacionais e aproveitar o influxo de capital dos serviços de streaming que buscam aumentar o número de assinantes.

Mas, com a mudança nas prioridades orçamentárias e uma eleição iminente que pode trazer de volta conservadores céticos em relação ao financiamento do cinema, muitos no setor temem que o apoio governamental não dure.
Ainda assim, as exportações de serviços audiovisuais brasileiros cresceram 19% ao ano entre 2017 e 2023, quando atingiram US$ 507 milhões, segundo um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Cinema e Televisão. Alguns esperam que a indústria cinematográfica brasileira possa seguir os passos de gigantes globais do entretenimento como a Coreia do Sul, que exporta bilhões de dólares por ano em conteúdo, em parte devido ao substancial apoio governamental.
O momento do Oscar para a indústria destaca uma “tempestade perfeita” de maturidade, talento e grandes histórias, disse Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, uma organização sem fins lucrativos que apoia a divulgação do cinema brasileiro para o público global.
“Além do seu apelo popular, o país também está mostrando que é um parceiro viável”, disse ela. “O Brasil é um lugar com o qual se pode trabalhar, um lugar onde se pode fazer negócios.”
REUTERS/Adriano Machado – Aquisição de Direitos de Licenciamento







Adicionar comentário