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ONU acusa Israel de usar a fome como arma de guerra contra o povo palestino

REUTERS/Mohammed Salem

“As imagens de fome em Gaza são insuportáveis e vocês não estão fazendo nada”, disse Michael Fakhri, Relator Especial da ONU sobre o Direito à Alimentação

GENEBRA (Reuters) – Um especialista da ONU disse nesta quinta-feira que Israel estava destruindo o sistema alimentar de Gaza como parte de uma “campanha de fome” mais ampla em sua guerra contra militantes do Hamas e repreendeu um órgão de direitos humanos da ONU por não fazer mais.

“As imagens de fome em Gaza são insuportáveis e vocês não estão fazendo nada”, disse Michael Fakhri, Relator Especial da ONU sobre o Direito à Alimentação, num discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Autoridades humanitárias alertaram para a ameaça de fome cinco meses após o início da campanha contra o grupo islâmico palestino, enquanto hospitais na parte isolada do norte do enclave afirmam que crianças começaram a morrer de desnutrição.

Fakhri disse ao conselho que Israel estava “destruindo o sistema alimentar em Gaza”.

Poucos dias antes do início do mês sagrado para os muçulmanos, o Ramadã, e sem nenhum acordo de cessar-fogo à vista para Gaza, os profissionais humanitários da ONU reiteraram, a preocupação com o número crescente de crianças morrendo de fome.

A agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa) informou que “a situação é terrível e está piorando a cada minuto”. 

Negociações ainda sem resultados

Todos os dias, um máximo de 150 caminhões têm chegado ao norte do enclave, onde uma em cada seis crianças com menos de dois anos sofre de subnutrição grave. Ao menos 20 menores morreram nos últimos dias. Um deles ficou 14 dias sem se alimentar.

Nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza reunião a portas fechadas sobre a situação em Gaza, com participação da coordenadora sênior da ONU de Ajuda Humanitária e Reconstrução, Sigrid Kaag. 

Mais de 30 mil pessoas já foram mortas nos intensos bombardeios diários israelenses em Gaza, em resposta aos ataques terroristas liderados pelo Hamas em Israel, no dia 7 de outubro, que deixaram cerca de 1,2 mil mortos e mais de 250 reféns.

As negociações para um cessar-fogo vinculado à libertação dos cerca de 100 reféns restantes e a um acesso mais amplo para a ajuda em toda Gaza não resultaram ainda no fim da violência nem no alívio da catástrofe humanitária. As conversas iniciadas no Catar seguiram esta semana no Cairo.