Segundo Sergio França Danese, intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados
O governo brasileiro voltou a condenar a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, assim como a prisão do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, no último sábado (3).
Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), o embaixador Sérgio França Danese disse que a paz na América do Sul está em risco. Segundo ele, intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados.
“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, completou.
Danese também afirmou que a ação norte-americana viola frontalmente normas das Nações Unidas. “A Carta da ONU estabelece como pilar da ordem internacional a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas. Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, disse.
Outros países sul-americanos, como Colômbia e Cuba, adotaram argumentos semelhantes ao do Brasil, ao condenar as ações dos Estados Unidos na Venezuela no último final de semana.
Por outro lado, um dos poucos países a se manifestar em defesa da ação foi a Argentina. O embaixador na ONU Francisco Fabián Tropepi classificou a iniciativa como um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para a restauração da democracia no país.
“A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, declarou.







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