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Nilton Tristão Opinião

Tendências eleitorais nas disputas que acontecerão em 2026

As disputas eleitorais recentes, particularmente as compreendidas entre 2018 e 2024, foram evidenciadas por clima persistente de rejeição, estruturadas na repulsa e desejo de punição existencial do discordante. Nesse intervalo de tempo histórico, a direita passou a expressar reiteradamente, a sensação de ruína comum, aversão à corrupção institucional e disseminando estafa prolongada e generalizada. Ambiente que foi sustentado por descargas intensas de cortisol, adrenalina e endorfinas, configurando sintomas de tensão, reatividade e procura de alívio psíquico. 

Circunstância que foi ancorada em pensamento binário do bem versus mal, fundamentada na lógica de veto absoluto. O conservadorismo passou a interpretar o sistema segundo espaço de correção de “erro histórico”, atribuído à ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder. Assim, deixou de operar apenas no modo de orientação ideológica e passou a funcionar conforme gatilho de libertação metafórica, por meio do qual a definição doutrinária cumpre a função de ruptura do ciclo político, econômico, cultural e social, percebido na condição de objeto contaminado.

No universo da esquerda e constelações progressistas, o sentimento dominante se ancora na primazia do combate ao autoritarismo, defesa do direito à diversidade e valorização da pluralidade. Validada na proteção das salvaguardas institucionais, no medo do retrocesso democrático e oposição ao radicalismo. Ou seja, a governança aparece como alusão socializada, respeitosa e humana, orientada em menor grau na imposição e maior, na coexistência civilizatória. Trata-se de escolha que ativa hormônios associados ao vínculo, cuidado e segurança, configurando padrão emocional no qual presente público não reage contra, mas se reconhece em. Na prática, tal processo foi encarnando no embate da empatia e memória afetiva, em contraposição ao patrulhamento imaginário e moralidade repressiva.

Sinteticamente, vivenciamos de maneira continuada o confronto do sentido de integração ante ao predomínio da vigilância coercitiva; cura pela tolerância em antítese a reordenação através da exclusão; lógica da “faxina ética” em divergência ao cuidado empático. A análise comparativa de ambos os campos revela não apenas acuidades distintas de alinhamento, mas a coexistência de dois estados anímicos antagônicos. Clima prolongado que produz cansaço, saturação e vontade difusa de harmonia. O excesso de julgamento e intensificação da assimetria passam a ativar o temor em relação ao futuro e a percepção de fragilização da coesão da conexão intersubjetiva. Por essa razão, o anseio popular tende a ser protagonizada por gente menos inclinada a defrontação e propensa à busca por estabilidade.

Dessa forma, a sucessão dos entes federativos tenderão a serem filtradas desprezando impulsos de enfrentamento e observando critérios de normalidade, previsibilidade institucional e capacidade de recomposição das relações concordantes. O votante, marcado por exaustão psíquica, demonstra maior propensão a reconhecer lideranças que ofereçam pertencimento, segurança decisória e redução do antagonismo. A preferência desloca-se do gesto punitivo para gestão do equilíbrio. Destarte, o perfil ideal dos próximos dirigentes estará agregada à racionalidade ponderada, sensibilidade humana e comunicação não beligerante. Não se tratará de inflexão de preceitos clássicos, mas de rearranjo alegórico do sufrágio. Nessa paragem assinalada pelo cansaço do excesso e fadiga da polarização, quem conseguir simbolizar serenidade com firmeza, tenderá a ocupar o centro da contenda, agraciado com maior ressonância coletiva.

Nilton Cesar Tristão

Cientista Político

Portal Regiao Oeste

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