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João Paulo Cunha Opinião

Estamos nas ruas contra a anistia aos golpistas 

Foto: Laura Lima

João Paulo Cunha 

Movimentos populares como os ocorridos no dia 14 de dezembro nas cidades brasileiras são fundamentais para a consolidação da democracia do país. Demonstram que a sociedade segue vigilante contra os abusos; que não permitirá que erros históricos se repitam. No caso específico, uma tentativa de golpe de Estado, como a que ocorreu entre os anos de 2022 e 2023, liderada por Jair Bolsonaro.  

Foto_Arquivo_Folhapress

Se consultarmos os livros de história, todas as vezes que ocorreram tentativas de golpes no Brasil, os criminosos foram anistiados. Passados alguns anos, os libertos tentaram de novo. Militares que planejaram o golpe de 1937, que instituiu o Estado Novo, estiveram envolvidos no golpe de 1964. Militares que se insurgiram contra o presidente Juscelino Kubitschek, nos anos 50, foram anistiados e tentaram novamente, uma década depois, contra João Goulart. Infelizmente venceram, derrotando a democracia, implantando a censura e institucionalizando a tortura aos dissidentes. 

Que as prisões de Bolsonaro e dos demais artífices do terror que nos rondou nos últimos anos sigam como recado aos que pensarem, no presente ou no futuro, em tramar contra as instituições e democracia.  O Brasil finalmente mudou nesse fundamento. Que prevaleça a sensatez. Esse crime não pode ficar sem castigo. 

Anistia é uma faca de dois gumes. Pode servir para trazer de volta quem lutou por um Brasil livre, caso de Betinho, Brizola e tantos que partiram num “rabo de foguete”, conforme a eterna música de João Bosco e Aldir Blanc, o Bêbado e o Equilibrista, consagrada na voz de Elis Regina. Mas pode também servir para perdoar quem não pode ser perdoado. O critério entre conceder e não conceder é a busca pela democracia. 

Por sorte, temos cidadãos conscientes e temos as ruas. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Paulinho da Viola seguem vigilantes do papel de artistas como consciência da sociedade. Presos injustamente, silenciados ou exilados, sentiram na pele o que foi uma ditadura. Sabem o valor absoluto da democracia e têm sabido transmitir esse aprendizado a quem é mais jovem. 

Ações que ocorreram em setembro e em dezembro são um sinal não só ao Congresso, mas a todo o Brasil, de que há um limite. Que inocentar quem trama contra a nação é um risco para todos. É um risco para o próprio Parlamento. Tudo isso será levado em conta pelo presidente Lula quando decidir sobre o veto do projeto de lei que torna a pena dos insidiosos golpistas mais leve.

Portal Regiao Oeste

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