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João Paulo Cunha Opinião

Juros altos significam 480 bilhões do orçamento para rentistas e bancos 

Por: João Paulo Cunha 

Ontem, o Banco Central, mais uma vez, decidiu por não abaixar as taxas de juros brasileiras. Se mantiveram em 15%. Quais as consequências dessa deliberação em sua vida? Enormes. Hoje, cada ponto percentual das taxas de juros determinada pelo BC custa em torno de R$ 40 bilhões à sociedade brasileira. As nossas taxas, altíssimas, nos tiram R$ 480 bilhões que deveriam ser destinados a hospitais, à segurança pública, educação ou a obras de infraestrutura. 

Mas ainda piora. Boa parte desses recursos desperdiçados tem ido para grandes rentistas que emprestam bilhões ao governo, nestas taxas de juros exorbitantes, e lucram às custas da sociedade brasileira. Hoje, o Brasil tem a segunda maior taxa de juros do mundo, atrás apenas da Rússia, em guerra. Temos taxas de juros acima da Argentina e da Turquia!  

A razão oficial para a taxa de juros é diminuir a inflação, ao retirar dinheiro circulante da sociedade. Porém, a inflação já tem sido bastante reduzida nos últimos anos pela ação do governo Lula – registrou em torno de 4% em 2025 com tendência de queda. Tanto que a expectativa de parte do mercado financeira era redução dos juros já na reunião dos diretores do Banco Central na última quarta-feira (28/1).  O IPCA-15, por exemplo, que retratou os preços das duas primeiras semanas de janeiro registrou desaceleração de 0,2%.

Se você inclui na conta os gastos totais com o serviço da dívida – e não apenas o que foi gasto pagando juros – os números são muito mais impressionantes. Do orçamento de R$ 6,5 bilhões, R$ 1,8 trilhão são para o financiamento da nossa dívida acumulada. Muito maior do que a saúde (R$ 271 bilhões), educação (R$ 244 bilhões), ou o programa Bolsa Família (R$ 158 bilhões). Para os investimentos sobraram 197,9 bilhões. Há algo bastante desequilibrado nas nossas contas. Juros altos significam, portanto, pressão sobre todas as outras áreas do orçamento. 

O Banco Central também precisaria levar em conta, para baixar os juros, questões como a queda do dólar devido às trapalhadas do governo Donald Trump pelo mundo, a diminuição do preço da gasolina no mercado interno anunciado pelo Petrobrás, e o aumento previsto de safra, barateando alimentos. Porém não quiseram quebrar as expectativas do mercado, que queriam juros muito altos por mais tempo – sabemos as razões. 

Por óbvio, combater a inflação é uma prioridade do país. Não podemos esquecer as altas de preços constantes que prejudicaram o Brasil por tantas décadas. O governo Lula, entretanto, tem garantido a estabilidade necessária para que os preços fiquem justos. Falta agora o Banco Central destravar o nosso desenvolvimento, aceitando que o Brasil pode sim prosperar sem inflação com uma taxa de juros mais baixa. É uma prioridade da nação.

Portal Regiao Oeste

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