Cotidiano

Abril Azul é o mês de conscientização sobre Transtorno do Espectro Autista

Campanha também visa combater o preconceito e promover inclusão dos autistas. Conheça mais sobre o Transtorno do Espectro Autista:

A campanha Abril Azul foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) para combater o preconceito, promover a inclusão e dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que, embora atinja 70 milhões de pessoas no mundo, “não tem cara” e, por isso, muitas vezes é incompreendida pela sociedade.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento de causa genética que altera o desenvolvimento infantil. O diagnóstico precoce é essencial para o sucesso do tratamento que vai permitir ao portador desenvolver o máximo do seu potencial e reduzir as comorbidades através do tratamento. 

Como identificar o Transtorno do Espectro Autista

De acordo com o médico Vinícius Lopes Braga, neurologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, as principais alterações no neurodesenvolvimento do autista acontecem na comunicação social, padrões e comportamentos restritivos. Ele lembra que se há suspeita é importante os pais não ficarem ansiosos e sim levar a criança a um neurologista para obter um diagnóstico preciso, pois um sinal só isolado não significa que a criança seja autista. Para facilitar a identificação ele dá exemplos das alterações que podem ser observadas:

Comunicação Social

“É uma criança que não olha nos olhos, evita o contato físico, evita sorrir de volta para o adulto, não imita os gestos, não brinca de esconde-achou, pode apresentar atraso de linguagem. Acontece um atraso da reciprocidade da interação social, essa criança prefere se isolar em vez de brincar com o resto do grupo”, resume o médico.

Padrões repetitivos

“São crianças que gostam sempre do mesmo desenho, do mesmo brinquedo, assistem várias vezes o mesmo vídeo, dentro daquele vídeo o mesmo trecho, sabe as falas decoradas ou crianças que tem uma rotina muito rígida, seguem muitos métodos, qualquer mudança de rotina por menor que seja gera uma frustração e ansiedade importante na criança”, revela.

Comportamentos restritivos

“São crianças que têm alteração também de repetição: então movimentos repetitivos como andar de um lado pro outro, balançar de mãos, crianças que tem repetição sonora, repetem a mesma palavra ou a última palavra que foi dita na conversa. Todos esses são sinais, mas é importante esclarecer que esses sinais precisam de um contexto de estarem juntos, um único sinal isolado não significa que a criança é autista”, destaca.

O médico ressalta ainda que os níveis de autismo não são definidos pela gravidade e sim pelo nível de suporte para que possam ser funcionais em sociedade. O nível 1 se define pelo paciente que precisa de pouco apoio, no nível 2 o paciente exige apoio substancial e no nível 3 há um alto grau de dependência, que exige apoio muito substancial.

Tratamento

O tratamento para o paciente de TEA requer uma avaliação individual para apurar os sintomas e necessidades. A partir disso uma equipe multiprofissional vai atuar seja com fonoaudiologia, fisioterapia, psicomotricidade, psicologia, entre outras terapias conforme cada quadro exigir. “Não existe uma receita de bolo para tratar o autista. Os métodos Denver e ABA são os que têm maior nível de evidência científica para atuar sobre o comportamento do paciente e ajudar”, afirma Braga.

Em alguns casos é necessário aliar as terapias ao tratamento medicamentoso visando dois objetivos principais: quando a pessoa precisa do remédio para conseguir se engajar nas terapias e quando existem comorbidades associadas.

“O autismo pode ter associação com quadros como ansiedade, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), deficiência intelectual, depressão. Também pode haver questões comportamentais mais graves de agressividade, irritabilidade que acabam levando risco ao próprio paciente e pessoas do seu entorno. Nesses casos o medicamento é necessário. Então de uma forma geral, todos os pacientes com TEA vão precisar do tratamento multiprofissional e alguns, não todos, vão precisar de tratamento medicamentoso”, pondera.

O resultado obtido com o tratamento varia de acordo com o nível de suporte, a resposta do tratamento, o profissional que está acompanhando o caso e o apoio da família, terapeutas e da sociedade. 

Hipersensibilidade a estímulos

O autista pode ter uma sensibilidade aumentada com ruídos, barulhos, ficar incomodado em meio a muitas pessoas e alguns estímulos de toque também. São restrições sensitivas que precisam ser vistas e acolhidas, buscando adequar o ambiente.

“Há crianças que não gostam de vestir roupas com etiquetas, certos tipos de roupas, tem restrição alimentar em função de estímulos gustativos e por isso precisam de acompanhamento com nutricionista, terapeuta ocupacional para adequar a dieta, para conseguir desenvolver o hábito e se alimentar com uma diversidade maior de alimentos”,  detalha o médico.

Autistas têm altas habilidades?

Alguns filmes trazem personagens autistas como Rain Man (1988), interpretado por Dustin Hoffman e com Tom Cruise no elenco. Na história o autista Raymond pode calcular problemas matemáticos com grande velocidade e precisão.

Braga explica o que é verdadeiro e o que é mito em histórias assim. “Alguns pacientes com TEA podem ter essa associação com altas habilidades, mas não como no filme. Uma minoria terá as duas comorbidades: TEA e alta habilidade. A visão do gênio que é bom em tudo não é bem assim. Algumas pessoas com transtorno de alta habilidade têm coeficiente de inteligência superior à média populacional e se destaca, mas nem sempre ele vai ter para todas as áreas do conhecimento e não quer dizer que ele não tenha limitações”, conta. (com informações do Portal da Câmara Municipal de São Paulo)