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Os desafios do PT em 2016

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janeiro22/ 2016

Por João Paulo Cunha

Dênio Rodrigues – Janeiro/2016

A eleição dos novos prefeitos e vereadores, em outubro, é o núcleo estratégico da conjuntura política brasileira em 2016. Pois o pleito municipal desse ano configura-se como a antessala das eleições presidenciais de 2018.

Antes da disputa na urna o PT terá que enfrentar dois enormes desafios. Como o partido se sairá na resolução desses desafios é algo que pode refletir, mais ou menos intensamente, no desempenho que ele terá nas eleições municipais e no futuro da legenda.

O primeiro grande desafio é estancar a recessão, a queda do PIB e retomar a rota do crescimento econômico do Brasil. Nesse rumo terá que reduzir a inflação e estimular os investimentos para retomar a criação de empregos.

O segundo grande desafio será enfrentar a votação do pedido de impeachment de Dilma. Enterrar, já na Câmara dos Deputados, a tentativa golpista da oposição e setores da grande mídia, será vital para o futuro do governo e do PT, com reflexos diretos nas eleições municipais.

Ainda no campo da tentativa de retirada do mandato de Dilma, será fundamental também que o PT se articule e qualifique a sua defesa jurídica nos quatro processos que estão em julgamento no TSE. Boa parte da oposição aposta nessa opção, afirmando, sem provar até agora, que a campanha de Dilma em 2014 recebeu recursos oriundos de propina de contratos da Petrobrás.

Além desses dois grandes desafios o PT deverá se posicionar e atuar também em outro fato determinante da conjuntura política do Brasil em 2016: a votação da perda do mandato de Eduardo Cunha no SFT e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

E, claro, o partido terá que continuar a lidar com os desdobramentos das operações Lava Jato e Zelotes, desenvolvidas pela PF e MP. Aqui o grande desafio a enfrentar, além da criminalização do PT e das tentativas de envolver Lula, é a tentativa de anular o seu registro ou inviabilizar o partido economicamente, com o pagamento de multas milionárias.

Em relação às eleições municipais desse ano, o primeiro passo que precisamos dar é atuar para desmistificar uma mera opinião que tentam vender como profecia que se auto realiza; ao afirmar que o PT será o grande derrotado em 2016 e que estará dado, assim, mais um passo para o seu fim.

Eleições municipais têm um componente partidário, mas não é predominante na definição do voto do cidadão. A história tem mostrado que o brasileiro vota, prioritariamente, no candidato e que mais de 70% dos eleitores não têm preferência partidária.

Além disto, no horário eleitoral gratuito, nas cidades, com programa de TV e Rádio, especialmente nas capitais e maiores municípios, o prefeito terá condições de expor suas obras, serviços e realizações, em diálogo direto com o eleitor, rivalizando com a pauta diária e negativa contra o PT, sustentada pela grande mídia.

Comumente o eleitor vota – em eleições municipais principalmente – no candidato que pode melhorar sua cidade independentemente de partido. O que tem prevalecido nas avaliações locais é a qualidade da gestão.

Os candidatos à reeleição têm a oportunidade de pedir ao eleitor a possibilidade de continuar seu projeto de governo e terminar aquilo que começou. Os adversários tentarão mostrar que esse projeto precisa ser interrompido imediatamente, pois não atende aos interesses da cidade. Essencialmente, esta é a razão da disputa. Prevalecendo essa orientação, o PT perderá várias prefeituras e ganhará outras tantas. Assim como os outros partidos.

O fato principal que definirá os rumos do balanço eleitoral deste ano será o resultado final da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Se o PT ganhar São Paulo o resultado do balanço tenderá a ser positivo. Se perder, mesmo ganhando várias outras, o balanço tenderá a ser negativo.

Nesse sentido, considerando as condições apresentadas e que estão sendo construídas, parece que o cenário eleitoral pode então ficar bem razoável ao PT, a seu candidato e ao seu projeto, pois não está fora do propósito manter o governo de São Paulo.

O Prefeito Fernando Haddad tem norteado o debate na cidade. Tem mostrado coragem para tocar em assuntos que, por cálculos eleitorais, muitos não tocam. Assim o conteúdo dos debates para a sucessão na Capital de São Paulo será definido pelas políticas desenvolvidas por sua gestão. E são temas importantes para uma cidade do tamanho de São Paulo e estimados para a cidadania.

No fundo os moradores da cidade podem concordar ou discordar, mas debatem o conteúdo daquilo que denominamos políticas públicas. Afinal, para que servem os espaços públicos? Devem ou não estar a serviço da vida numa cidade tão concretada como São Paulo?

Lado outro o Prefeito tem vários pontos a seu favor que irão ser destacados ao longo da eleição. Sua seriedade ao tratar transparentemente dos problemas e o domínio sobre a administração pública, os problemas e as eventuais soluções para a cidade são de seu absoluto domínio. Na campanha propriamente dita, podemos esperar de Fernando Haddad uma performance competente e grandiosa, que certamente calará os candidatos despreparados para a enorme tarefa que é governar a maior cidade da América Latina.

Sua gestão eficiente, sua capacidade criadora e seu preparo intelectual estabelecem a partir de agora um novo padrão para governar São Paulo. Não bastará ficar falando de um programa que não enfrente os problemas pela raiz e que não se sustente. Os paulistanos exigirão muito dos candidatos nesta eleição.

Caso o PT vença a eleição com Haddad, estarão dadas as condições para a renovação do Partido, tanto do ponto de vista doutrinário e ideológico como na elaboração de suas renovadas políticas públicas. Esse resultado também exigirá uma reorganização partidária, oxigenando e reformando sua estrutura.

Fernando Haddad é um quadro da esquerda brasileira com preparo, conhecimento e condições para ajudar nessa tarefa com um papel de destaque. Ele emergirá do pleito, caso vencedor, com uma força eleitoral muito grande, tornando-se uma peça central na renovação e reformulação do PT, visando a disputa política e eleitoral de 2018.

Não renunciemos a hipótese de um eixo de esquerda moderna ligando São Paulo à capital do Rio de Janeiro, caso Freixo, do PSOL, vença na capital fluminense. Freixo tem se diferenciado do conjunto do PSOL no debate sobre os rumos do Brasil.

As novas regras eleitorais exigirão campanhas mais militantes e programáticas. O poder econômico será reduzido e, ao contrário do que pregam alguns, as dificuldades serão enormes para o uso de caixa 2. Afinal, além da justiça eleitoral, os candidatos se fiscalizarão e os cidadãos, com a internet em pleno funcionamento, serão naturais fiscalizadores das campanhas.

Sem fazer exercício de futurologia, mas admitindo a derrota da tentativa golpista, um cenário de melhora na economia, uma relativa estabilidade na política e um andamento sem grandes surpresas nas operações Lava jato e Zelotes, o Partido dos Trabalhadores poderá definir uma nova baliza para o futuro do seu projeto político e para o seu programa de desenvolvimento nacional.

Por isso que 2016 é um ano crucial para o PT e para o Brasil!

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