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O Lula só não se reelege se preferir indicar outro candidato

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portalregiaooeste
março23/ 2016

O Teatro Municipal de Osasco recebeu na noite da última segunda-feira (21), o jornalista Paulo Henrique Amorim, que promoveu o lançamento do livro “O Quarto Poder”, publicação que traça um panorama de seus 50 anos de carreira e também dos fatos que marcaram o País nesse período.Ao falar para um público de mais de 300 pessoas, PHA, que é editor do site Conversa Afiada, não economizou análises polêmicas ao atual momento econômico e de crise política vivido atualmente no País.

Em sua avaliação, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é quem irá “governar de fato” o Brasil assim que conseguir assumir como ministro chefe da Casa Civil do governo da presidenta Dilma Rouseff. Para PHA, Lula já está governando. “Ele já é, de fato, o chefe da Casa Civil. Lula tomou posse na Avenida Paulista, no discurso que fez, dizendo que agora voltou. Ele vai presidir porque, como disse um amigo meu, nenhum palácio do mundo comporta dois presidentes. Vai governar com a essência e o entendimento da presidenta Dilma Rousseff. Ela entendeu que se o Lula não fizesse isso, haveria o risco de um golpe. O Lula vai administrar as relações do governo com o PMDB e com a política econômica, que já começou a mudar”, afirmou.

E acrescentou: “Do Maranhão a Sergipe todos os governadores de Estado disseram que não vai ter golpe. Quero ver o ministro Gilmar Mendes dar um golpe que não vale em todos esses estados. O Lula só não se reelegerá presidente em 2018 se preferir indicar outro candidato no lugar dele”. PHA seguiu com duras críticas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ressaltando ainda o que chamou de um fato singular. “Num dos últimos dias do governo do Fernando Henrique Cardoso, em 2002, depois que o Lula já tinha derrotado o Serra, o então ministro do STF deu prerrogativa de foro ao ministro da Fazenda Pedro Malan; ao ministro da Casa Civil, Pedro Parente, e a José Serra. Dessa forma, só poderiam ser julgados pelos crimes cometidos na privataria tucana pelo STF”.

A prerrogativa venceu em fevereiro de 2016, 14 anos depois. E, agora, o Gilmar Mendes não quer dar ao ministro da Casa Civil Luiz Inácio Lula da Silva a prerrogativa de foro. E mais do que isso: a autora da ação judicial que entrou no STF para impedir o Lula de ser empossado como ministro e que o Gilmar acatou como sendo apropriada nada mais é do que funcionária do ministro Gilmar. Porque de uma maneira irregular, ele é ministro do STF e dono de empresa que explora negócios de Educação: O IDP, um instituto que forma advogados e dá cursos suplementares a advogados em Direito Constitucional”, disse.

“O Gilmar Mendes não arguiu que não poderia julgar uma ação de uma funcionária, porque a ação ao STF foi proposta por uma funcionária do IDP. Achou que não havia nenhuma incompatibilidade moral. Eu chamo o Gilmar, no meu site de, de PSDB/MT, ou seja do Mato Grosso, sentado na cadeira do Supremo sem nenhum pudor. Por que o Gilmar age com essa liberdade?”, questiona.

PHA lembrou ainda que na semana passada, antes de julgar a ação do ex-presidente Lula, Gilmar teve um almoço em Brasília com José Serra e Armínio Fraga. Também participou de um café da manhã para tratar do “rito do impeachment” na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e com o deputado Paulinho da Força Sindical.

“No meu site eu chamo de Armínio Naufraga, pois quando dirigia o Banco Central, levou o Brasil à breca, e, portanto ajudou a eleger o Lula: a taxa de juros era de 40% e o Brasil não tinha um dólar nas reservas cambiais. Eles quebraram o Brasil e foram ao FMI três vezes. Ele (Gilmar Mendes) se considera um juiz, árbitro. É como se colocasse o presidente do Flamengo para arbitrar o Fla Flu. Esteve em um café da manhã com o grande baluarte das classes conservadores da sociedade brasileira, o Eduardo Cunha, um exemplo da moralidade e do conservadorismo brasileiro na companhia de outro grande exemplo da moralidade do pensamento e da militância conservadora no Brasil, que é um personagem que todos conhecem o Paulinho da Força, que é de um caráter impoluto”, disse, em tom irônico, arrancando risos do público presente”, complementa.

“Hoje o bravo destemido senador Roberto Requião lidera um movimento suprapartidário de senadores para entrar no Conselho Nacional de Justiça e impedir que o Gilmar continue sendo Ministro do Supremo”. Outras críticas tiveram como alvo atuação da Rede Globo de Televisão, na qual trabalhou por muitos anos, e de outros veículos de comunicação do país, que, segundo ele, estão “a serviço da direita” e que defendem abertamente o impeachment da presidenta.

O jornalista ressaltou ainda que Dilma e Lula pagam hoje o preço por não terem feito a democratização dos meios de comunicação no país. “Lula e Dilma se esqueceram que existe a luta de classes e não era só questão de verbas publicitárias da Secom que a Globo queria”. O Amorim também defendeu que o Brasil tenha uma TV Pública que sirva de árbitro para os antagonismos. “Hoje Lula e Dilma estão pagando o preço da omissão”, alfinetou.

Ao falar sobre a imprensa no Brasil, PHA afirmou que a Globo é contra os governantes trabalhistas ‘desde que o presidente Getúlio Vargas deu um tiro no peito para defender a Petrobrás’. “Vargas se matou para preservar a obra dele na Petrobras. É o que eles querem tomar hoje do povo brasileiro, pois quem tem petróleo tem futuro e o Brasil descobriu uma das maiores jazidas do mundo no pré-sal, graças ao trabalho anônimo de engenheiros liderados pelo grande brasileiro Guilherme Estrela. O petróleo brasileiro, além de óleo, tem muito gás, que serve para fazer fertilizantes. Hoje, o Brasil, que tem a maior agricultura do mundo, tem que importar fertilizantes. É por isso que os americanos querem impedir que o Brasil tenha futuro, pois o pré-sal é uma maneira de se garantir o futuro do Brasil. É isso que está em jogo e o Serra quer entregar. Para transformar o Brasil em uma colônia para 20 milhões de brasileiros brancos”, alfinetou.

Já sobre o processo de impeachment, ele afirma que Dilma não vai cair. “Não vai ter golpe! Acredito nisso primeiro porque existe uma militância e brasileiros nas ruas que não querem que se dê esse golpe de estado”. De acordo com o jornalista, “é quase impossível” que o governo não tenha ao menos 171 votos na Câmara dos Deputados para barrar o impeachment com voto aberto.

“Quero ver os deputados votarem contra a Dilma e se perguntarem: se a Dilma não cair, onde é que eu vou me esconder? Como é que eu vou me reeleger. Além disso, a oposição não tem rua porque a passeata da Avenida Paulista não é representativa do Brasil. 71% dos manifestantes naquela aventura da pátria branca votaram no Aécio. E mais: quando Aécio e Alckmin apareceram lá foram enxotados. Eles não representam o Brasil e não tem líder. O Aécio é heptacampeão: foi sete vezes delatado. O Serra não consegue convencer nem o Michel Temer e o FHC está com o pé na cadeia”, disparou.

“Esses são os grandes líderes: O Aécinho, o Serrinha o Fernando Henrique são os grandes heróis do que eu chamo de PIG – Partido da Imprensa Golpista – a Globo, a Folha, o Estadão e uma revista que tem aí que nem costumo nomeá-la. O Gilmar deu proteção em 2002 para eles terem foro privilegiado”, conclui. O levantamento foi realizado pela editora Hedra, com promoção da CUT e apoio da Prefeitura de Osasco e do Grupo de Pesquisa e Estudos Metropolitanos da Unifesp/Osasco.

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