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Ministro da Justiça acusa Moro de crime e diz que vai apurar grampos

Ministro da Justiça, Eugênio Aragão
portalregiaooeste
março18/ 2016

O novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, afirmou nesta quinta-feira, dia 17, após assumir o cargo, que o juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba, pode ter cometido crime ao tornar públicos os áudios entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

De acordo com ele, que é subprocurador-geral da República, Moro deveria ter “fechado os autos e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal” ao encontrar o áudio da presidente, que possui foro privilegiado em razão da sua função.

Aragão disse ainda que existem “várias circunstâncias” que sugerem que a interceptação telefônica foi ilegal e prometeu “ir atrás” dessa apuração e “tirar as consequências disso, doa a quem doer”.

“Se houve conversa da presidente que merecesse atenção jurisdicional, não caberia ao juiz de primeira instância nem sequer aquilatar o valor daquela prova e muito menos dar-lhe publicidade. Como se trata de uma eventual prova obtida em encontro fortuito, sua excelência, o meritíssimo juiz, deveria ter fechado os autos e encaminhado ao STF. Não o fez. E mais, ainda declarou de público que achava importante que a população soubesse”, disse Aragão a jornalistas.

O novo ministro da Justiça afirmou também que a publicação do áudio envolvendo a presidente “cheira muitas vezes ao artigo 10 da lei de interceptações, que qualifica como crime quando se torna público uma gravação que diz respeito a investigações autorizadas dentro do marco legal e constitucional”.

Além disso, defendeu a legalidade do diálogo entre Dilma e Lula. Segundo ele, em razão do estado de saúde da esposa do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, a presidente Dilma encaminhou o termo de posse para assinatura do petista. Assim, segundo ele, o Planalto poderia realizar a cerimônia de posse ainda que Lula estivesse ausente.

“Não podemos neste momento de crise ter o cargo de chefe da Casa Civil vago. Então foi estabelecido: assine o termo que, chegando, a gente faz a posse com a presidente assinando o termo na cerimônia e o presidente Lula faz a transferência de cargo na terça-feira. Então está tudo muito claro que não houve ali nenhuma intenção de absolutamente nada”, explica Aragão.

Responsável também pela Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, Aragão afirmou que irá investigar vazamentos seletivos das investigações. “Quero tomar pé e saber em que medida essa seletividade está sendo operada. Não vamos admitir de jeito nenhum falta de profissionalismo. Investigações devem ser feitas com maior respeito à presunção de inocência”, disse o ministro.

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