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Direita ou Esquerda nas eleições de 2018?

Eleições 2018
Jucelene Oliveira
setembro21/ 2018

Desde as eleições presidenciais de 2014, o Brasil tem assistido uma onda de discursos agressivos, especialmente nas redes sociais, que se dividem em dois lados basicamente: os da esquerda e os da direita, associados pela maioria ao PT e PSDB, respectivamente.

Segundo Andréia Martins, do Uol Vestibulares, “definir um posicionamento político apenas pelo viés partidário pode ser uma armadilha repleta de estereótipos, já que essa divisão binária não reflete a complexidade e contradições da sociedade”.

As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799).

Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite.

Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual.

Para o filósofo político Noberto Bobbio, embora os dois lados realizem reformas, “uma diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social enquanto a direita trabalha pela liberdade individual”. Direita e esquerda também têm a ver com questões morais.

É muito importante que os eleitores conheçam o plano de governo de cada candidato, bem como seu histórico partidário e como parlamentar, e não se deixem seduzir apenas pelo discurso conservador ou progressista que ele profere.

Mourão e suas declarações polêmicas

De acordo com matéria publicada na Folha de S. Paulo na quarta-feira, 19, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que “é preciso ter cuidado pra falar porque tudo vira ‘bullying e racismo’”.

Essa posição foi uma forma de se defender durante evento em Bauru, sobre declaração polêmica dada na segunda-feira, 17, em evento no Sindicato da Habitação (Secovi), também em São Paulo, de que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico.

A candidata a presidente pela Rede, Marina Silva, destacou a “valentia” de mulheres que comandam suas casas. “É uma afronta chamar de desajustados os filhos de 11,6 milhões de mulheres que chefiam lares. Elas enfrentam sozinhas todas as dificuldades para dar um futuro a filhos e netos. É da valentia dessas mães e avós que nasce o milagre da sobrevivência de milhões de pessoas”, disse no Twitter.

Para Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT, “acusar uma mãe chefe de família, uma avó chefe de família pelo que acontece na criminalidade, é um absurdo”. Ele ainda prometeu que, em seu governo (se eleito), “mães e avós serão apoiadas por meio de políticas públicas e pela escola pública de qualidade”.

No início de agosto, Mourão também foi fortemente criticado ao declarar durante evento na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul (Serra Gaúcha), que o “caldinho cultural” do Brasil inclui a “indolência” dos povos indígenas e a “malandragem” dos negros africanos.

Na ocasião, Mourão falava sobre o subdesenvolvimento e o panorama de conflitos da América Latina – “condomínio de países periféricos”, na opinião do general. Quando fez referência à “malandragem” dos africanos, ele apressou-se em se desculpar com o vereador Edson da Rosa (MDB), que é negro e compunha a mesa de autoridades.

Ele também defendeu o trabalho da polícia, dizendo que é preciso investir em tecnologia, e lamentou que ela seja criticada quando age contra bandidos. “Direitos humanos são para humanos direitos”. Defendeu, ainda, as reformas tributária, da Previdência e da Constituição, após provocar outra polêmica, na semana passada, ao dizer que a Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo.

No domingo, 16, o presidenciável Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo do hospital onde está internado, após ter recebido uma faca dia 6, e reforçou sua tese de uma possível fraude no pleito de outubro, afirmando que “não temos qualquer garantia nas eleições”.

Para conhecer o posicionamento do Sinprosasco em relação às eleições de 2018, acesse: http://www.sinprosasco.org.br/

Jucelene Oliveira
Redação Sinprosasco

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