• Hoje é: sexta-feira, novembro 27, 2020

Bolsonaro jogou o Brasil abaixo do fundo do poço

Antifascistas_Batista
portalregiaooeste
junho14/ 2020

Por Paulo Marcelino

“O maior mal do Brasil, neste momento, é Jair Bolsonaro, e não a Covid-19. Se a pandemia está matando mais de um brasileiro por minuto, e se 51,6 milhões de trabalhadores sem renda são humilhados em troca de um abono emergencial de R$ 600,00, por três meses, para tentar sobreviver, isso significa que nosso país está muito abaixo do fundo do poço. Temos que escolher defender o Brasil e para isso é preciso corrigir a fraude eleitoral de 2018, retirar Jair Bolsonaro do governo, urgentemente, e realizar eleições limpas, antes que seja tarde, porque esse irresponsável já está agindo como um ditador”, afirma o sindicalista João Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Motoristas do Transporte de Cargas de Embu das Artes e Região (SIMTECER).

Em entrevista ao Portal Região Oeste, Batista, critica a recente decisão do presidente Bolsonaro de censurar a divulgação do número de mortes diárias pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). “Mostra duas tragédias que custarão muito caro ao Brasil, durante anos ou décadas: primeiramente, ele não respeita a vida dos brasileiros, como já deixou claro ao não fazer nada para impedir o avanço da pandemia. Quando raramente cobrado pela imprensa, sobre o número de mortes, fez afirmações escandalosas, como ‘E daí’; ‘Não sou coveiro’ e ´Todo mundo morre um dia’.

Em segundo lugar, ao invés de criar medidas para combater o desemprego, como a geração de novos postos de trabalho e aumento da renda das famílias, seu governo usa o dinheiro público para “socorrer” banqueiros e cria todo tipo de dificuldades para liberar R$ 600,00 para os desempregados. Enquanto milhares de pessoas já morreram por falta de vagas em hospitais, de respiradores em UTIs e até de ambulâncias para socorro às vítimas, no início da pandemia Bolsonaro liberou um trilhão e 200 bilhões de reais para ajudar os bancos. Justamente o setor recordista de juros astronômicos. Essas condutas provam que Bolsonaro governa para a elite financeira e contra a vida dos brasileiros”, ressalta o sindicalista.

O presidente do SIMTECER também questiona sobre o que acontecerá com esses 51,6 milhões de brasileiros quando o abono emergencial acabar. “Dessas milhões de famílias, muitas voltarão a não ter o que comer. Isso, sem falar em despesas como moradia, água, luz, transporte, saúde. Mas o empobrecimento do povo não atinge apenas as famílias do abono emergencial: a fome e a mortalidade infantil já vinham se alastrando no Brasil, muito antes da pandemia. Desde o início do seu desgoverno, Bolsonaro tem cortado o Bolsa Família, principalmente nos estados nordestinos, os mais pobres do país. O desemprego e o subemprego crescem a todo vapor. A fome, a mortalidade infantil e a falta de saídas para o povo, nunca foram tão grandes. Com Bolsonaro, o Brasil está diante de duas tragédias que não têm data para acabar, a sanitária e a econômica: a única forma de interromper a destruição total é livrar o país desse desgoverno criminoso”, dispara Batista.

Qual é a situação dos trabalhadores motoristas do setor de carga diante da pandemia?
Maus patrões querem demitir, mas não podem. Oriento sempre os trabalhadores a procurarem os Sindicatos da categoria, se forem vítimas dessa arbitrariedade.

Como o transporte de cargas é atividade essencial e não pode aderir à quarentena, porque precisam abastecer as cidades, muitos trabalhadores do setor estão sendo contaminados e têm desenvolvido a Covid-19. Alguns têm sido surpreendidos com demissão do emprego, no retorno ao trabalho, após o tratamento médico. Mas eles têm estabilidade e as empresas não podem demiti-los. Na base sindical do SIMTECER já revertemos demissões desse tipo.

Além dos motoristas de cargas e passageiros, outras categorias também trabalhistas estão sofrendo com a pandemia, entre elas quais você destacaria?
Praticamente todas as categorias foram afetadas pela Covid-19, mas algumas têm sido mais impactadas. Tenho conversado muito com a Lurdinha, presidete do Sindsaúde de Osasco e Região. E posso dizer que a situação dos profissionais da saúde é, sem exageros, desesperadora. Ao longo da pandemia, o Brasil tem assistido, envergonhado, a morte de muitos profissionais de saúde por falta de equipamentos básicos de proteção individual, os EPIs, como máscaras, luvas, gorros e viseiras. E também por falta de treinamento adequado para a maioria deles.

De 16 de março, quando foi registrada a primeira morte pela pandemia, no Brasil, até 31 de maio, oficialmente 113 médicos. As mortes de médicos contaminados no trabalho, no país, até o final de maio, foram recorde mundial. Essas são as ‘conquistas’ do governo Bolsonaro. 30% dos profissionais de saúde tinham mais de 60 anos e faziam parte do grupo de risco. Mantiveram-se em atividade pela brutal falta de profissionais para atender a demanda dos doentes. Até perderem a vida.

Já que o senhor citou a situação dos profissionais da saúde, como anda dos enfermeiros?
Com a enfermagem, a situação é mais grave ainda, pois são os enfermeiros e enfermeiras que ficam mais tempo cuidando dos pacientes com Covid-19. Entre março e maio, 165 enfermeiros morreram pela Covid-19, infectados no trabalho. 22.588 enfermeiros foram contaminados e afastados.

Uma pesquisa feita pela Internacional de Serviços Públicos, mostrou que 77% dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem pesquisados disseram não ter recebido treinamento adequado para tratar de pacientes de Covid-19. 67% afirmaram ter recebido equipamentos de proteção abaixo das necessidades e 11% revelaram trabalhar SEM NENHUM equipamento de segurança.

Muitos profissionais passaram a trabalhar em casa, no sistema home office, qual é o impacto dessa mudança na vida desses trabalhadores?
De maneira geral, o que a gente tem percebido é um aumento muito grande na carga de trabalho, cito como exemplo os professores. Essa categoria sempre trabalhou em casa preparando aulas, corrigindo provas, avaliando trabalhos, são tarefas que sempre fizeram parte da dupla jornada dos professores, nunca remunerada. Mas lecionar remotamente é algo que multiplicou muito suas tarefas. Ensinar em sala de aula exigia do professor a preparação do conteúdo das matérias. Pelo sistema virtual, além do conteúdo, os professores também precisam preparar os materiais que serão exibidos nas plataformas. É trabalho dobrado ou triplicado. Imaginem professores que lecionam em mais de uma escola. O estresse está atingindo níveis perigosos, na categoria.

Há muitas reclamações dos bancários, sobretudo das agências da Caixa Econômica Federal e Santander, como você enxerga a situação dessa categoria?
Fui funcionário do sindicato da categoria por muitos anos e tenho observado alguns problemas. Algumas organizações bancárias estão seguindo à risca as normas de segurança, como a matriz do Bradesco, que adotou o home office na Cidade de Deus e rodízio das equipes, nas agências. Mas há reclamações em algumas instituições, como o Santander. Em uma concentração do banco, funcionários denunciam que os gestores não têm afastado trabalhadores com sintomas da Covid, e que não tem sido feita a higienização correta dos ambientes. Desrespeito inadmissível à vida dos seus trabalhadores. Gigantescas filas têm sido formadas nas agências da Caixa Econômica Federal, desde o início do pagamento do abono emergencial.

O atendimento de frente aos milhares de inscritos no programa é feito por pouquíssimos funcionários, que têm que esclarecer dúvidas e ajudar na utilização dos terminais eletrônicos. Isso fez com que o contato diário com milhares de clientes se tornasse de alto risco para esses bancários. Centenas deles foram contaminados em todo o Brasil e já houve mortes, de acordo com a associação nacional dos funcionários do banco. Quero aproveitar a oportunidade dessa entrevista e parabenizar a diretoria eleita nesta última eleição do sindicato dos bancários. Foi um processo muito responsável e que considerou o grave momento que o país atravessa, com chapa única e voto online para não colocar o bancário em risco.

Há um grande número de trabalhadores no comércio aqui na região de Osasco, você tem algum conhecimento sobre a situação desses profissionais?
Essa categoria está sofrendo muito com as demissões em massa nesses últimos meses, por conta dos fechamentos das lojas. Cabe registrar aqui, a denúncia do sindicato dos Comerciários, a loja Armarinhos Fernando conseguiu liminar na justiça e reabriu sua loja de Osasco. O problema são as filas e aglomerações de pessoas que se formam em frente a loja, colocando em perigo a vidas dos trabalhadores desse comércio, bem como dos seus clientes.

Além das categorias que você citou como exemplos, há também outras na mesma situação?
Batista-Sim, é possível conseguir informações das áreas médica, de enfermagem, bancárias e da educação porque estas e outras categorias, têm sindicatos mais fortes e estruturados. Mas existem dezenas de atividades chamadas essenciais, que também não puderam entrar nas quarentenas que praticamente são invisíveis. Muitas delas, com altos graus de exposição. E ninguém sabe como esses trabalhadores estão enfrentando a pandemia. Os mais expostos são os do setor funerário, como dos IML, os coveiros, os motoristas de carros fúnebres. Ainda não apareceram estatísticas sobre eles. Sabemos, por exemplo, de mortes de motoristas de ambulâncias do SAMU. Mas de forma isolada. Há outra categoria com altíssimo grau de exposição, que são os coletores de lixo. Quem acompanha a saúde e o trabalho desse conjunto de profissionais? Ninguém. É cada um por si.

Segundo os especialistas da área, a subnotificação da Covid-19 no Brasil, é um grande obstáculo para o enfrentamento do vírus, você concorda com essa visão?
Concordo plenamente, o Brasil nunca saberá o número real dos seus mortos pela Covid-19. Bolsonaro não quer que essa conta seja feita. A explicação é simples: nosso país não faz testes na população. ENQUANTO RÚSSIA E ESPANHA TESTAM MAIS DE 90 PESSOAS POR MILHÃO DE HABITANTES, O BRASIL TESTA MENOS DE 05 INDIVÍDUOS. ISSO É NADA. REPRESENTA APENAS 0,005% DA POPULAÇÃO. E traz para o país, o risco imenso de se perder de vez o controle da doença. Porque o Brasil não saberá quantas pessoas contaminadas existem. Podem ser milhões. E elas poderão contaminar outras pessoas, sem saber que são portadoras do coronavírus, como aconteceu com o HIV, no caso da AIDS. O presidente avalia que escondendo o número de mortos, conseguirá disfarçar sua incompetência para enfrentar a pandemia. Mas aí acaba escancarando seu desrespeito brutal à vida das pessoas. Os EUA testam 12 vezes mais que o Brasil, e Rússia e Espanha, 20 vezes.

O Brasil está na categoria dos resultados mais desastrosos, para o enfrentamento da pandemia. E seriam muito mais graves, se não fosse a intervenção de governadores e prefeitos, que adotaram a medida do isolamento social, para controlar a multiplicação dos contágios, na primeira fase da doença. Bolsonaro fez de tudo para impedir e atrapalhar as ações de isolamento: declarou guerra aos governadores e prefeitos e atacou as recomendações dos médicos e cientistas e sindicatos sobre as medidas de segurança.

O presidente também não cumpriu a quarentena, ao voltar de viagem ao exterior, na qual sua comitiva de 26 pessoas foi toda contaminada. Além de promover diversas aglomerações de apoiadores, andando entre as pessoas sem máscara e chamando a pandemia de ‘gripezinha’, enquanto as estatísticas diárias de mortos e contaminados explodia. Bolsonaro é responsável por essas mortes. É por isso que agora ele decidiu censurar a divulgação dos números do fracasso do seu governo, no trato da pandemia. A sociedade precisa exigir que o congresso nacional e o judiciário afastem esse homem do governo. Ele põe a vida do nosso povo em risco.

big banner