• Hoje é: quinta-feira, outubro 17, 2019

Após 11 meses, Rogério Lins pouco fez pra diminuir violência no trânsito

acidente de transito
portalregiaooeste
novembro23/ 2017

 

O trânsito mata cerca de 60 mil pessoas por ano no Brasil e deixa outras 630 mil permanentemente inválidas. Em São Paulo, o Infosiga, sistema que acompanha as estatísticas de acidentes de trânsito no Estado, mostra que nos primeiros nove meses deste ano já aconteceram 4.218 mortes. Apenas em setembro, foram registrados 14.787 acidentes.

Uma das principais causas para esta verdadeira tragédia, segundo Márcio Aguiar, mestre em engenharia de transportes e professor da Universidade Fumec, é a ausência de radares para controlar a velocidade dos veículos. “O controle por radar é fundamental para o centro urbano, já que a alta velocidade é a maior causa de atropelamentos e acidentes”, explicou.

Além disso, conforme Aguiar, também seria necessário reduzir a velocidade máxima. “Acima de 50km/h os danos a pedestres e ciclistas são grandes. A diminuição é uma tendência mundial e o uso de radares é a forma mais eficiente para esta fiscalização.”

Considerada polêmica e rechaçada por grande parte da população, a fiscalização é um remédio amargo, mas necessário diante das quase 60 mil mortes e dos R$ 146 bilhões que o Brasil gastou em 2016 por causa dos acidentes. Nosso país está em quinto lugar entre os recordistas em mortes no trânsito.

Osasco
Apesar dos números alarmantes, Osasco segue sem meios para fazer este controle, pois todos os radares da cidade foram retirados no final de 2016. Para agravar ainda mais o quadro, em novembro do ano passado a prefeitura foi obrigada a cumprir um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), do Ministério Público, dispensando 80 agentes de trânsito. Atualmente, são apenas 10 para toda a cidade. Cerca de 70 foram contratados em outubro, mas continuam fora das ruas.

Mesmo sendo essencial, Rogério Lins, prefeito de Osasco, permitiu que a cidade ficasse 11 meses sem um controle efetivo do trânsito. E, em entrevista recente, admitiu que isso vem gerando consequências ruins. “A gente tem visto muitos acidentes, não só em Osasco, mas em toda a região. A gente tem percebido que as pessoas têm abusado um pouquinho da velocidade”, afirmou.

A situação no município, na melhor das hipóteses, só deve ser normalizada em fevereiro de 2018. Recentemente, a prefeitura realizou pregão eletrônico para a compra de 106 radares, que serão instalados em 30 pontos e fiscalizarão o avanço do semáforo e o excesso de velocidade.

Indústria de multas
Um dos principais obstáculos no uso dos radares é a conhecida “indústria de multas”. Lins garantiu que não serão colocados radares “pegadinha” e que será feita uma ampla divulgação dos pontos onde haverá fiscalização eletrônica. Por questão de segurança, os radares também devem ser desligados das 23h30 às 5h.

Soluções
Evidente que o uso de radares e a diminuição da velocidade não são as únicas medidas para reduzir o número de acidentes. Em Osasco, assim como na maioria das cidades brasileiras, faltam campanhas educativas, além da melhoria da sinalização e das vias, entre outras questões.

Quem dirige pelas ruas e avenidas de Osasco conhece bem estes riscos. Há buracos por todos os lados e a sinalização é falha. Acrescente aí a imprudência, o excesso de velocidade e a falta de fiscalização. Está pronta a receita para a violência que encontramos todos os dias no trânsito de Osasco e da maioria dos municípios.

big banner