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“Tem muito vagabundo na guarda”, afirma Lapas

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portalregiaooeste
setembro06/ 2016

Prefeito afirmou ainda que não precisa dos votos dos agentes para se reeleger. Declaração causou mal estar na corporação, que denuncia falta de condições de trabalho, além de desvalorização da categoria. Até gasolina das viaturas está racionada.

“Tem muito cara vagabundo na guarda. Precisamos ser muito sinceros a gente vê muito cara de braço curto”. Essas foram as palavras do prefeito de Osasco, Jorge Lapas, ao se referir aos integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM). A frase foi dita em reunião política, com representantes da corporação, diante do comandante da GCM, inspetor Paulo Siqueira. Um vídeo, gravado com celular por um dos participantes, vazou na Internet. Depois disso, o prefeito passou a proibir o uso de telefones celulares em suas reuniões com servidores.

No vídeo, Lapas, que é candidato à reeleição, aparece ainda dizendo que não precisa dos votos da categoria. “Não são os guardas que vão me eleger. Posso ser muito claro? Nós temos o que? 300 guardas. Eu preciso de 200 mil votos. Não é isso que vai resolver o problema”, completou.

Em entrevista por telefone ao Portal Região Oeste, o vice-presidente licenciado do SindGuardas (sindicato da categoria), Anderson Kowales, afirmou que as declarações de Lapas causaram um grande mal estar na corporação, principalmente devido à realidade de falta de condições de trabalho enfrentada pelos agentes. “Temos um salário miserável. Não temos viaturas, não temos gasolina, a prefeitura não nos dá condições para trabalhar e nós é que somos vagabundos?”, questiona. “Como guarda, estou indignado. Nas manifestações contra a Dilma, defendemos inclusive a prefeitura do Lapas, que era do PT, contra os ataques de black blocks. Demos nossa cara a tapa”, lembrou.

Outro GCM – que preferiu não se identificar – afirmou que é impossível prestar um bom serviço à população com as condições de trabalho que a gestão Lapas oferece. “Não temos o braço curto, como disse o prefeito. O nosso bem maior é zelar pela vida da população. Somos pais de família e amamos nossa cidade, queremos sim colaborar da melhor forma com os cidadãos, mas não temos contra partida da prefeitura”, disse.

Além disso, a Prefeitura desativou todas as câmeras que funcionavam na Central de Rádio e Monitoramento da GCM, na Secretaria de Obras. “Em vários pontos da cidade tinham sido instaladas diversas câmeras, no entanto, não foi feita a manutenção e hoje não temos nenhuma funcionando”, completou o GCM. “As câmeras do Demutran visam apenas multar os cidadãos”, denuncia.

Outro problema é o baixo efetivo. São apenas 250 guardas na ativa, divididos entre patrulhamento e funções administrativas, para cobrir uma cidade com área de 64 km² e 700 mil habitantes. Eles trabalharam 8 horas por dia ou 12 horas, em dias alternados. E o salário é de R$ 1.044,00, acrescido de RETP (Regime Especial de Trabalho Policial), que equivale a 50% desse valor.

Veja o vídeo

O Portal Região Oeste entrou em contado com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Osasco mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta sobre o caso.

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