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Sonia Rainho recebe Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos

Foto: Reprodução
portalregiaooeste
março15/ 2018

Sônia Rainho, ex-vereadora de Osasco, recebe nesta quinta-feira, 15, às 20 horas, o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos 2018. A honraria é concedida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo às pessoas ou entidades com atuação destacada na área.

Sonia Maria Rainho Gonçalves foi boia-fria, trabalhou no corte de cana, colheu algodão, feijão e arroz. Filha mais velha, ajudou a criar os 20 irmãos. Iniciou cedo a militância na luta por luz, água, esgoto, creches e em movimentos em defesa dos injustiçados. Sob sua liderança, o movimento por moradia popular implantou sete núcleos residenciais em Osasco e dois em Carapicuíba. Também foi pioneira na criação de grupos de discussão sobre os problemas da mulher.

Participou do movimento pela anistia aos perseguidos e exilados políticos, vítimas da ditadura militar, entre eles dois líderes do movimento estudantil de Osasco. Fez parte do movimento contra a Carestia; da luta pela implantação de creches; pela implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente; do movimento em defesa dos Direitos Humanos e da Campanha pela Constituinte.

Uma das primeiras filiadas ao PT em Osasco, ajudou a construir o partido no município, sendo vereadora de 1996 a 2000 e de 2005 a 2008. Entre 2009 e 2016 esteve à frente da Coordenadoria da Mulher e Promoção da Igualdade Racial e Diversidade Sexual de Osasco, onde trabalhou por justiça e igualdade no combate a todo tipo de descriminação e violência.

Santo Dias

Dia 30 de outubro de 1979. Funcionários da extinta fábrica Silvânia, então localizada no bairro de Santo Amaro da capital paulista, promoviam um piquete por melhores condições de trabalho. A Polícia Militar desferiu tiros contra os grevistas e atingiu o líder do movimento, o metalúrgico Santo Dias, que trabalhava como motorista de empilhadeira na Metal Leve S/A. Morria o ex-lavrador que, em 1961, havia sido expulso com a família da fazenda onde morava, por exigir registro profissional conforme a lei.

Líder operário muito conhecido no meio do movimento sindical e nas bases da Igreja Católica, Santo Dias era casado e pai de dois filhos. A notícia de sua morte se espalhou rapidamente e provocou intervenção de autoridades eclesiásticas da Arquidiocese e da CNBB.

Velado na Igreja da Consolação, no centro da cidade, seu corpo foi levado para a Catedral da Sé, em cortejo seguido por 10 mil pessoas. Apesar de o governo militar proibir qualquer homenagem a Santo Dias, o que incluía até missa de corpo presente, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns a concelebrou com outros bispos, antes de o enterro seguir para o cemitério do Campo Grande, na zona sul de São Paulo.

O cortejo de Santo Dias acabou se tornando uma das maiores manifestações contra a ditadura militar.

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