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Sem segurança no meio da guerra

João Paulo
portalregiaooeste
agosto24/ 2017

POR João Paulo Cunha
Na capa do jornal “O Estado de São Paulo” de ontem (21/08/2017) tinha uma manchete cruel, mas que passou batido pela maioria das pessoas: “Brasil tem 28 mil assassinatos em 6 meses”. Ora, basta dividir 28 mil por 180 dias (6 meses) que chegaremos ao número de assassinatos por dia: 155 mortos diariamente por esse Brasil afora. Para aumentar o espanto são 6 mortes por hora. É uma guerra!

Esses assassinatos invariavelmente estão ligados ao tráfico de drogas e têm como principais vítimas os jovens negros, moradores das periferias das grandes cidades. Essa violência prospera com mais facilidade onde o Estado se faz ausente, onde as políticas públicas não aparecem, a infraestrutura não chegou e não há sinais de que chegará. Esse ambiente acaba sendo terra fértil para o aparecimento do crime organizado.

Além disto, vale refletir sobre a política penal brasileira, sua histórica opção pelo encarceramento imediato e a relutância em discutir uma nova política para as drogas no país. Não estará na hora de escancarar o debate sobre a descriminalização da maconha?

Ainda nas periferias há um outro problema a ser superado: a violência policial. Parte da população mais pobre e mais periférica tem muito medo da polícia também. O trabalho de desmilitarizar a Polícia Militar e trazê-la para mais próxima da comunidade é uma ideia a ser perseguida por todos aqueles que querem uma sociedade de liberdade e de segurança.

De qualquer forma o que tem que nos unir é a indignação de ver tantos brasileiros jovens mortos diariamente e a paisagem absorvendo esta realidade. Só para se ter ideia da dimensão dessa tragédia, aqui no Brasil se mata mais do que na guerra na Síria ou no conflito entre Israel e a Palestina.
Não temos segurança no meio de uma guerra!

Há muitos anos o Rappa muitos canta “a minha alma está armada e apontada para a cara do sossego/ pois paz sem voz não é paz é medo”. E eles têm razão.

E continuam dando uma lição: “Às vezes eu falo com a vida/ Às vezes é ela quem diz/ Qual a paz que eu não quero conservar/ Pra tentar ser feliz?”.

Chega de violência e dos assassinatos de jovens brasileiros!

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