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Reforma trabalhista pode aumentar casos de LER/DORT entre bancários

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portalregiaooeste
março01/ 2018

 

O Dia Internacional de Prevenção às LERs (Lesões por Esforços Repetitivos) ou DORTs (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) foi comemorado na quarta-feira, 28 de fevereiro. Consideradas a segunda maior causa de adoecimento no trabalho, tornaram-se uma questão de saúde pública mundial. Na categoria bancária, cerca de 30% dos trabalhadores afastados por doença sofrem desse tipo de enfermidade, decorrente da atividade profissional.

Pesquisas da Fundacentro confirmam que as LERs/DORTs são doenças crônicas, invisíveis e, muitas vezes, irreversíveis. Elas ocorrem principalmente pela intensificação do trabalho e representa um desgaste do sistema musculoesquelético de trabalhadores, em atividades que exigem a execução de movimentos repetitivos, associados muitas vezes a esforços físicos e manutenção de determinada postura por tempo prolongado.

“Elas costumam evoluir de forma lenta para quadros crônicos e assim nem sempre são percebidas precocemente pelos trabalhadores, que retardam a procura por auxílio com receio de repercussões negativas na empresa, agravados por situações de discriminação e assédio moral, o que lhes causa sofrimento e transtornos mentais, com grande impacto em suas vidas e de suas famílias”, afirma a Fundacentro.

Com a reforma trabalhista e a terceirização ilimitada os casos de acidentes e adoecimentos ocupacionais podem aumentar. A falta de controle da jornada de trabalho para empregados que exercem a função remotamente é um ponto que pode agravar a situação. “O fato de o funcionário ficar ligado praticamente todo o tempo a dispositivos como computador e celular, sem ter um horário definido, aumenta os riscos de adoecimento, por conta do estresse e da desorganização da vida particular”, afirmou Aline Molina, presidenta da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo (Fetec-CUT/SP).

Brasil
O Brasil está em quarto lugar entre os países onde mais ocorrem acidentes de trabalho no mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), atrás apenas da China, da Índia e da Indonésia. Desde 2012, a economia já sofreu um impacto de R$ 22 bilhões por conta de pessoas afastadas após ferimentos durante o trabalho. Se fossem incluídos os acidentes em ocupações informais, esse número poderia chegar a R$ 40 bilhões. De acordo com o Ministério da Fazenda, entre 2012 e 2016 foram registrados 3,5 milhões de acidente de trabalho em 26 estados e Distrito Federal. Esses casos resultaram na morte de 13.363 pessoas.

“Agora, mais do que nunca, é importante saber que em todo e qualquer tipo de acidente no trabalho a empresa deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e que isso vale também para suspeitas de LER/Dort. O documento é fundamental, pois somente com as notificações conseguimos identificar os locais com condições precárias de trabalho e, assim, cobrar a responsabilidade dos bancos”, explicou Rosângela Lorenzetti, secretária de Saúde e Condições de Trabalho da Fetec-CUT/SP.

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