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Professores unidos pela revogação da reforma do ensino médio

Sala Sisu 2
Jucelene Oliveira
agosto03/ 2018

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) encaminhou na quarta-feira, 1, ao governo e ao Congresso Nacional, carta em que pede a revogação da reforma do ensino médio, a revisão da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e a garantia do cumprimento das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

Para a entidade, a reforma do ensino médio e a Base Nacional Comum Curricular, que implementa na prática a reforma, “têm características excludentes e que podem levar a um aprofundamento das desigualdades sociais, ao contrário do exposto em propagandas oficiais”.

No dia 24/07, o Conselho da Sociedade Brasileira de Física divulgou carta na qual solicita ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a devolução ao MEC da proposta da BNCC, o que na prática significa que o CNE recuse a proposta do governo apresentada em abril. A nota defende também modificação na Lei que reestrutura o ensino médio (L.13.415), “de forma a não privilegiar algumas áreas do conhecimento em detrimento de outras”. O documento chama a atenção para a não obrigatoriedade de Ciências da Natureza (e por extensão, também das Ciências Humanas) no ensino médio, entre outros problemas graves.

De acordo com a FEPESP – Federação dos Professores do Estado de São Paulo, o evento proposto pelo ministério da Educação na quinta-feira, 2, nomeado como “Dia D” da Educação foi apenas uma ação de marketing travestida de convocatória aos professores, por parte do MEC e de uma entidade oficiosa e praticamente desconhecida – o Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) – para, supostamente, debater as diretrizes da BNCC no Ensino Médio. A ‘consulta aos professores’ era apenas de fachada, já que o calendário de audiências públicas, inicialmente marcado para debater presencialmente a BNCC, foi desprezado e a proposta inicial da reforma (de permitir múltiplos itinerários disciplinares opcionais aos estudantes) foi reduzida à obrigatoriedade de apenas duas disciplinas, Português e Matemática.

“Revogar a proposta e pensar uma fórmula que tenha uma verdadeira participação dos docentes, os quais têm conhecimentos reais sobre a realidade nas salas de aula” é uma possível alternativa para rever essa situação, de acordo com o professor e também diretor do Sinprosasco, Salomão de Castro Farias. “Não permitir que seja feita por pessoas que defendam interesses de grupos educacionais que ocuparão 60% da grade curricular” é algo importante que ele defende e complementa.

Conforme imagem abaixo (mais detalhada e explicativa), os professores são contra a reforma porque ela tem caráter privatizante, provocará desemprego, propõe exclusão, fragmenta e empobrece o ensino e por fim, desconsidera debates que foram realizados desde 2015.

Para Salomão de Castro Farias, “os professores devem reagir, propor debates em suas escolas, assinar as petições que solicitam a revogação dessa base, pressionar os parlamentares para rejeitar a proposta”. Para ele, não se pode desconsiderar que essa reforma acarretará o aumento do desemprego.

“Além dos prejuízos pedagógicos, seguramente promoverá uma grande onda de desemprego, já que com disciplinas agrupadas, as escolas usarão esse artifício para procurar parcerias para ocupar essa grade alternativa e professores das disciplinas que serão agrupadas amargarão pelo ‘desprestígio’ atribuído a elas, levando ao fim desses postos profissionais”, sentenciou.

A reforma do ensino médio foi encaminhada ao Congresso por meio de medida provisória. A princípio, pretendia desobrigar o ensino de Filosofia, Artes, Educação Física e Sociologia, mas a pressão de estudantes e professores conseguiu alterar o projeto original, que manteve outros problemas: a possibilidade de 40% da grade curricular ser ministrada a distância, e de os recursos públicos serem destinados a empresas privadas, além da contratação de “profissionais com notório saber”, sem licenciatura, no lugar de professores. Isso é absolutamente perigoso!

bncc_Sinproosasco

Para obter mais informações, acesse o site do Sinprosasco www.sinprosasco.org.br.

Jucelene Oliveira
Jornalista do Sinprosasco

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