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Prato Feito derruba irmãos Furlan e novas secretárias assumem Educação e Suprimentos

irmaosfurlan
portalregiaooeste
maio17/ 2018

 

A Prefeitura de Barueri conta com duas novas secretárias municipais desde terça, 15. Maria Lúcia Bulbov Griffin assumiu a Educação e Sonia Maria Fiori Soares a pasta de Suprimentos. A mudança foi necessária depois do escândalo envolvendo o prefeito Rubens Furlan e seus irmãos Celso e Toninho, citados na Operação “Prato Feito”,  deflagrada pela Polícia Federal e Controladoria Geral da União para apurar desvios e fraudes em contratos e licitações. De acordo com as investigações, os irmãos Furlan foram citados por suspeita de recebimento de dinheiro para a Campanha Eleitoral de 2016, em troca de vantagens indevidas em licitações futuras.

Em meio à crise, na segunda-feira, 14, Celso e Toninho, então secretários municipais de Educação e Suprimentos, pediram exoneração de seus cargos. Toninho, que foi eleito vereador em 2016, deve voltar à cadeira no legislativo barueriense.

Maria Lúcia Bulbov Griffin é servidora da rede municipal há 30 anos, pedagoga e educadora de carreira. Sônia Maria é administradora de empresas e já ocupou diversos cargos de coordenação na prefeitura de Barueri, inclusive na fiscalização tributária e como diretora do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).

Investigações
De acordo com as investigações da PF e CGU, semanas antes da eleição de 2016 o lobista Eládio Corra Junior teria intermediado as negociações entre o clã Furlan e o dono da Editora Melhoramentos. Em troca de dinheiro para a Campanha, a empresa teria vantagens futuras nas licitações e contratos da Secretaria de Educação. Com a vitória de Furlan, seu irmão Celso assumiria a pasta para cumprir o acordo.

A PF tem usado como provas conversas entre o lobista e o dono da editora. Em uma das gravações, o intermediador afirma: “Quem vencerá as eleições municipais é Furlan e quem assumirá a Secretaria de Educação é seu irmão”. O que de fato aconteceu com a nomeação de Celso.

Toninho Furlan, segundo as investigações, seria o mediador das negociações. As licitações para contratação da editora estão em andamento.  Também foram colhidas evidências que o lobista teria intermediado os interesses de outro empresário, na área de medicamentos.

Na quarta-feira, 9, a PF, com autorização da Justiça, fez buscas e apreensões na casa do prefeito,  na sede da Prefeitura e nas secretarias de Educação e Suprimentos. Além disso, em razão dos indícios de crimes de corrupção ativa, a justiça pediu a prisão preventiva do lobista e do dono da editora.

Operação Prato Feito
A operação tem o objetivo de desarticular cinco grupos criminosos suspeitos de desviar recursos da União destinados à educação em municípios dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. Foram cumpridos 154 mandados de busca e apreensão, além de afastamentos preventivos de agentes públicos e decisões de suspensão de contratação com o poder público referente a 29 empresas e seus sócios. Todas as medidas foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo e pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

O inquérito policial foi instaurado em 2015, a partir de informação apresentada pelo Tribunal de Contas da União relatando possíveis fraudes em licitações de fornecimento de merenda escolar em diversos municípios paulistas. As investigações apuraram que os grupos criminosos agiriam em 30 municípios, contatando prefeituras por meio de lobistas para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais para a educação, destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

Há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo: 13 prefeitos, 4 ex-prefeitos, 1 vereador,  27 agentes públicos não eleitos e outras 40 pessoas da iniciativa privada. A Controladoria Geral da União identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bi.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de fraude a licitações, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com penas que variam de 1 a 12 anos de prisão.

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