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PMs acusados de chacina em Osasco rejeitam oferta de delação premiada

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portalregiaooeste
agosto28/ 2016

Dois PMs acusados de participação na chacina que deixou 17 pessoas mortas em Osasco e Barueri recusaram proposta de delação premiada oferecida pelo Ministério Público Estadual. O caso foi revelado pelo Jornal Folha de São Paulo, que teve acesso às 13 horas de depoimentos dos envolvidos no processo, que corre sob segredo de Justiça.

Feita em junho, essa oferta de colaboração em troca de possível redução da pena reforça a dificuldade admitida pela Promotoria em conseguir reunir provas para condenar os quatro acusados pelos crimes —incluindo os dois PMs.

Em entrevista à Folha neste mês, o promotor do caso, Marcelo Alexandre Oliveira, disse acreditar na culpa dos réus, mas deixou clara a dificuldade para condená-los. “Vai ser bem difícil a condenação deles. Primeiro, porque, de fato, não há uma prova muito contundente, uma prova irrefutável contra cada um deles”, disse o promotor, ressalvando depois que “as provas, analisadas conjuntamente, não deixam dúvidas [sobre a culpa dos quatro réus]”.

Os ataques ocorreram em 13 de agosto de 2015. A investigação apontou que os crimes foram uma retaliação às mortes de um PM e de um guarda municipal, em assaltos nas duas cidades, dias antes. Outros dois acusados – um PM e um guarda municipal, não receberam a proposta.

No depoimento, o PM contou que foi procurado no presídio especial Romão Gomes (destinado a PMs) por uma promotora que atua na Justiça Militar, mas não no processo da chacina. “Ela foi sucinta e clara: ‘Cristilder, uma delaçãozinha premiada. O senhor não acha que é bom?’. Falei que era inocente. Ela disse: ‘Mas uma delação hoje é comum’. Eu disse que não tinha o que falar, pois sou inocente”, disse o policial. “Me senti coagido, ameaçado”, completou.

O processo está em andamento e a justiça vai decidir se arquiva o caso ou encaminha os réus a júri popular.

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