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Para Janot “Enquanto houver bambu, vai ter flecha”

Rodrigo-Janot
portalregiaooeste
julho03/ 2017

CARLA JIMÉNEZ – pelo EL PAÍS

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, bem que tenta se conter, mas não consegue fugir de uma certa sina que o persegue: fazer polêmica. Convidado do 12° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ele falou para um plateia lotada sobre a Lava Jato e os desafios de combater a corrupção no Brasil hoje. Falou de suas dificuldades à frente do órgão, da nova procuradora geral, Raquel Dodge, que assume seu posto dentro de três meses, e sobre sua saída. Qual será seu papel até setembro, questionou a entrevistadora do evento, a jornalista Renata Lo Prete. “Enquanto houver bambu, vai ter flecha. Até o dia 17 de setembro estarei lá na PGR, e até lá, a caneta está na minha mão, e vou continuar no mesmo ritmo que estou”, afirmou Janot, para um auditório lotado, num dos debates mais disputados do encontro que aconteceu em São Paulo. Ele comentou sobre outras duas denúncias em curso que chegarão ao presidente Temer, sobre obstrução à Justiça e organização criminosa, mas não deu detalhes. Apenas disse que uma está mais adiantada que outra.

Bem à vontade, Janot respondeu a todas as questões em aberto que o perseguem desde o dia 17 de maio, com as delações da JBS, acordadas com o empresário Joesley Batista – chamado a todo instante de “bandido” ao longo da palestra. Admitiu que já foi ameaçado de morte, e que anda com seguranças, mas que lida com essa questão como um assunto profissional. Comentou, ainda, sobre a dificuldade que é chegar a alguns “picaretas” pois se exigem verdadeiras “provas satânicas”, ou seja, flagrantes impossíveis de alcançar.

Ao falar sobre a polêmica dos benefícios concedidos na delação que culminaram na denúncia do presidente Temer por corrupção passiva, por exemplo, Janot afirmou que não viu outra alternativa se não aceitar a proposta de Joesley quando apresentou um trecho da gravação que havia feito com o presidente. “A escolha de Sofia minha foi: não faço o acordo e finjo que não vi e não tenho como investigar, se não for por esse bandido, ou vou deixar que continuem os crimes, porque a premiação é alta ou baixa?” O procurador brincou que não poderia oferecer “uma caixa de bombom Garoto” para conseguir as provas necessárias para os crimes relatados pelo empresário.

Apesar das críticas de alguns pares e da má repercussão sobre o acordo entre a opinião pública, Janot afirmou que não faria nada diferente, pois a “narrativa” obtida a partir dali é de “uma clareza impressionante”. “Estou com a consciência tranquila. [O contrário] a não denúncia favorece os atos descritos pelos colaboradores e que constam do acordo”, diz ele. A associação de Temer e Loures, segundo ele, fica muito evidente em todas as gravações e detalhes fornecidos pelos delatores da JBS.

Matéria completa no EL PAIS

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