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Lapas despeja entidade e presidente o acusa de “perseguição política”

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portalregiaooeste
julho12/ 2016

Associação Amigos do Jardim Mutinga não ocupa mais imóvel cedido pela prefeitura. Segundo presidente, desocupação do local ocorreu de forma truculenta após ele não apoiar a candidatura de Lapas à reeleição. Vereador da base ainda promoveu “festa” no local enquanto a desocupação acontecia

Uma entidade fundada há 51 anos e que presta uma série de serviços sociais – desde distribuição do programa Viva Leite a 140 famílias carentes de Osasco à manutenção de turmas de alfabetização gratuita de adultos – teve suas portas fechadas por perseguição política. A prefeitura de Osasco, por meio da Secretaria de Segurança e Controle Urbano (Secontru), com forte aparato da Guarda Civil Municipal (GCM), “desocupou”, na manhã desta segunda-feira (11), a sede da Associação Amigos do Jardim Mutinga (Asajam), que funcionava na rua Heliotrópio, na zona Norte de Osasco. De seus 51 anos de atuação, a Asajam funcionava há 39 anos em espaço cedido pela administração municipal por meio de convênio.

Em entrevista ao Portal Região Oeste, o presidente da entidade, o líder comunitário Claudomir Luiz do Nascimento, acusa a prefeitura de agir motivada por interesses políticos. Segundo ele, as perseguições começaram depois que negou apoio à candidatura do prefeito Jorge Lapas (PDT) à reeleição. “A secretária de Administração, Marisa Elizabeth, me chamou em reunião na sala dela e foi taxativa: se eu não apoiasse o Lapas iria sofrer retaliações. Marisa me disse um monte de impropérios e que eu iria sofrer as consequências. O Zé Carlos, que foi da equipe do Giglio, é testemunha de tudo que aconteceu na sala dela”, afirmou Nascimento, que fez parte do Grupo de Trabalho e Interlocução (GTI), do governo do prefeito. Segundo ele, sua exoneração ocorreu em abril, também após optar em não apoiar Lapas que disputa à reeleição em 2 de outubro.

Detalhes do processo foram obtidos pelo Portal Região Oeste no mandado de segurança com pedido liminar, em tramite na Fazenda Pública da Comarca de Osasco, impetrado pelo advogado da entidade, Dr. Flávio Christensen, pedindo a retomada do convênio. A consulta pode ser feita no site www.tjsp.jus.br, sob número 10159684620168260405.

No documento, o advogado alerta para a ilegalidade do ato praticado pela prefeitura, já que a desocupação não contou com amparo legal. “Não bastasse o descaso, agiu ilegalmente a administração, ferindo direito líquido e certo da coletividade, ao adentrar na associação e retirar de lá todos os documentos, móveis, aparelhos eletrônicos sem qualquer ordem judicial, e sem qualquer apresentação de relação de conteúdo”, destaca.

As irregularidades foram além. “Curial ressaltar que todos os documentos, bens e pertences da ASAJAM, dos associados e do seu presidente Sr. Claudomir Luiz do Nascimento, foram amontoados sem qualquer critério pelos funcionários da PMO, despidos de qualquer controle, relatórios, planilhas com discriminação em documentos oficiais que possam identificar os mesmos, bem como seu paradeiro para o devido resgate, sendo certo que uma pessoa identificada como Francisco de Assis foi categórico em afirmar a desnecessidade de relacionar os bens, limitando-se a empilha- los nas carrocerias dos caminhões que tomaram rumo desconhecido”, completa o documento.

O advogado também relata que o vereador Batista Comunidade, que faz parte da base aliada ao prefeito Jorge Lapas, levou uma “claque” para acompanhar a desocupação e promover uma verdadeira “festa” no local, com direito a rojões e até vuvuzelas. “Merece destaque a convocação da “claque política” (mais de 50 pessoas) capitaneada pelo Vereador Batista da Comunidade, que encorajado com a ordem ilegal do prefeito Jorge Lapas e com vistas voltadas a interesses políticos menores, provocou verdadeira gritaria com palavras de baixo calão instigadas pelos estampidos dos rojões lançados às centenas, foram orquestrados ao som de inúmeras cornetas e vuvuzelas, externando verdadeira pirotecnia, coroando o verdadeiro coronelismo, “terra de ninguém”, “LEI DO CÃO”, o que certamente não passará incólume aos olhos deste imparcial e Insigne Julgador”, ressalta o advogado. A reportagem do Portal Região Oeste entrou em contato com a prefeitura de Osasco, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

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