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“Lapas não tem marca, ele quer aparecer às custas do futebol”

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portalregiaooeste
maio20/ 2016

Lindenberg Pessoa tem 60 anos e fala sem rodeios. Filho de nordestinos, casado com Marta há 32 anos, tem cinco filhos e 3 netas, o advogado criminalista já foi cantor em barzinhos, apresentador de baile funk no antigo Cobraseixos e taxista. Foi ainda presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Osasco (UNIFIEO), vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e Conselheiro Seccional da OAB São Paulo, além de criar o Grêmio Esportivo Osasco, “embrião” do atual Grêmio Osasco Audax, vice-campeão paulista. Nesta entrevista exclusiva ele fala sobre a criação do clube, sua posterior aquisição pelo empresário Mário Teixeira, que depois trouxe à cidade o Audax, e da relação do esporte com o poder público. E não poupa críticas ao atual prefeito Jorge Lapas (PDT), ao ex-prefeito Emídio de Souza. Confira abaixo os principais pontos da entrevista:

O senhor foi um dos fundadores do Grêmio Osasco, mas saiu da presidência após a aquisição do time pelo empresário Mário Teixeira. O que levou a esse afastamento?

Quando foi anunciado o fim do ECO (Esporte Clube Osasco), juntamos um grupo de amigos e tivemos uma conversa longa com o João Paulo (ex-deputado federal), que também era apaixonado por futebol e nos incentivou a tentar criar um novo clube. Fundamos então o Grêmio Osasco. Levamos o projeto muito a sério. Em 2008 disputamos a Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Inicialmente, o então prefeito Emídio de Souza também nos ajudou, mas não esperava o sucesso que aconteceu. O time subiu para a A3 já em 2008, em 2009 disputamos a A3 e subimos para a A2. O sucesso incomodou e o Emídio abandonou o projeto a ponto de um dia estarmos sem condições de comprarmos até alimentos para os jogadores. Mas tínhamos uma responsabilidade com a cidade, disputamos o campeonato através de favores e fomos rebaixados.

O time ia fechar, porque as propostas que vinham era de fora, de outras cidades, para ficar com a vaga na série A-3. Mas eu negava totalmente que esse time saísse de Osasco. Até que conheci o senhor Mário Teixeira, apaixonado pelo futebol. Ele queria montar a estrutura de um time campeão e que não saísse da cidade de Osasco, ou seja, juntou a fome com a vontade de comer. Ele assumiu o time. Muitos acham que eu fiquei rico, mas na verdade, o time foi vendido por um valor bem menor do que eu já havia posto do meu bolso. Ele pediu que eu ficasse 3 anos na presidência para ajudá-lo na estruturação da equipe, do estádio e do Centro de Treinamento.

Como o senhor viu a chegada do Audax e a formação do grupo com 3 times da cidade e um só dono?

Acho muito positivo, porque o que tem no futebol brasileiro hoje é muito pilantra. E o seu Mário teve o cuidado de fazer um trabalho maravilhoso no Audax e no GEO. A chegada do Audax para disputar a A1, trazendo grandes times aqui para Osasco, como o Corinthians e o Palmeiras, só engrandeceu e fortaleceu o futebol de Osasco. O que o Sr. Mário fez está corretíssimo: quis trazer a paixão que a gente tem pelo futebol e pela cidade com um futebol de primeira grandeza.

Qual sua avaliação da relação do Audax e do próprio Grêmio Osasco com a prefeitura? É benéfica para os times? E para a cidade?

No futebol, a prefeitura não fazendo nada, já ajuda, porque não atrapalha. Eles não têm projeto que venha de encontro com essa molecada que quer se tornar atleta e não ajudam em nada. Tentam agora tirar proveito de uma iniciativa privada, por meio do Sr. Mário Teixeira, do lado político. Mas tudo que foi feito tem nome e sobrenome, que é Mário Teixeira. Ele reformou o Centro de Treinamento; reformou, pintou e colocou arquibancadas, cobertura e camarote no estádio. Fez na Vila Yolanda o Centro de Treinamento para abrigar as crianças, com sala de ginástica e campo de treinamento.

A prefeitura não fez nada. O senhor Mário Teixeira está conseguindo realizar o meu sonho. Eu não tive condições porque fui boicotado por Emídio e por Lapas. A visibilidade e a seriedade no futebol de Osasco se deve hoje ao Mário Teixeira, Vampeta, Nei Teixeira e Fernando Diniz. Em 19 jogos do GEO na A2, o Emídio e o Lapas não foram em nenhum jogo. E pasmem, o Rossi, Celso (Giglio), Délbio, Rogério Lins, Osvaldo Verginio e o João Paulo foram em muitos. O vôlei e o futebol deram certo em Osasco porque não têm o dedo da prefeitura.

O senhor já apoiou o ex-prefeito Emídio de Souza e o atual, Jorge Lapas. Agora, faz essas duras críticas. O que mudou? Acredita na reeleição de Lapas?

Eu espero que o Jorge não ganhe e vou trabalhar muito para isso. Eu apoiei o Emídio também. Coloquei dinheiro do meu bolso na campanha dos dois e nunca pedi nada e nem favor. Apoiei porque acreditei na ideologia que eles pregavam para cidade. Depois fui ver que eu que era um tonto de acreditar no que eles disseram. Hoje, o Emídio é um cara que preside o PT de São Paulo em um momento de crise, mas você só vê ele em coluna social da Mônica Bergamo. Você não o vê à frente de nenhuma luta.

O Jorge foi engenheiro e meu funcionário, durante o governo do Parro, quando eu fui Diretor de Habitação. E hoje é o espelho de tudo que de ruim que aconteceu nessa cidade. Você não tem uma obra que possa identificar o governo Lapas. Saúde e Educação vão de mal a pior. Os professores não recebem o salário que merecem, falta merenda, falta uniforme. Na Saúde, não tem vagas em unidades, falta até esparadrapo. O prefeito foi eleito para cuidar da cidade. Ele faz show com Mc Guimê e não tem dinheiro para os artistas da cidade que estão à mingua e dizem que o Temer vetou a verba. Ora, o PMDB do Temer e do Eduardo Cunha é da base do governo Lapas. Será que eles não conseguem ajudar? Além disso, o Tinha (ex-secretário de Esportes) e o Lapas se colocam como os responsáveis pelo futebol, os dois aparecem como se fossem os donos da ideia. Eles querem aparecer às custas do futebol e não engrandecer o futebol.

Todos nossos ex-prefeitos – como o Rossi, o Giglio, o Parro e o Guaçu Piteri – deixaram suas marcas de governo. Qual é a marca do Lapas? Ninguém sabe! O Lapas já inaugurou o PS do Jardim D´Abril umas dezessete vezes. No dia da votação do impeachment da Dilma no Senado, o Jorge foi acompanhar a pintura do velório, talvez essa seja a grande obra que vai marcar o governo dele, acho bem sintomático. O Jorge usa de ameaças e atitudes para impedir que outros candidatos a prefeito apareçam na cidade porque ele não precisa provar que ele é bom, ele quer fazer com que os outros sejam ruins e isso é a mediocrização da política.

Por que tantas críticas ao governo Lapas e ao ex-prefeito Emídio em suas redes sociais?

O fato de eu hoje estar criticando o governo Lapas e o Emídio é um direito meu, pois eu os apoiei e nunca pedi nada em troca. Acho que quando a gente faz 60 anos sabe que não vai fazer mais 60 anos de novo. Eu tenho uma responsabilidade muito grande como profissional. Meu trabalho é o seguinte: a pessoa tem um problema eu me proponho a apresentar uma solução. Essa visão que a minha profissão me deu é que me permite essa liberdade de criticar. Prefeito foi eleito para cuidar da cidade. É importante dizer isso senão vão dizer que eu estou com raiva do prefeito, que estou magoado.

O que eu criei está indo de vento em popa, que é o futebol. O que não está indo é o que o Lapas comanda que é a saúde, a educação, a cultura. O Lapas dança zumba em parque, mas com isso está é zombando da população. E também tem político que troca de família a toda hora, mas exige fidelidade política. Quando minhas netas crescerem e me perguntarem sobre a saída da Dilma, eu vou dizer que briguei muito. Ela foi eleita! E o prefeito de Osasco, vô? Eu direi que o Lapas foi acompanhar a reforma do velório. Talvez porque da forma como ele cuidou da saúde seria preciso aumentar o velório.

Apoia algum candidato para às eleições de 2 de outubro?

Já fui procurado por várias pessoas. Todos sabem da minha independência. Omissão nunca foi uma coisa que eu primei na minha vida. Estou ouvindo os candidatos e quero voltar a acreditar nas palavras dessas pessoas. Não é porque o Emídio e o Lapas não tiveram palavras que eu vou desistir. Quero continuar acreditando, mas serei extremamente criterioso. O Lapas e o Emídio foram narcisistas e só pensaram no próprio umbigo. Esses omissos passaram uma mensagem para a nova geração que é de uma tristeza enorme: passaram que mais vale o egoísmo do que o coletivo. Isso me entristece muito.

Tenho dó de gente histórica nas lutas sociais na cidade ser obrigadas a se traírem, pois precisam do emprego na Prefeitura. E depois? O governo Lapas é do Emídio. Por isso não teve crítica ao ir para o PDT. Tanto que o homem forte do governo Lapas, o engenheiro Waldyr Ribeiro, continua no PT! Repito: a banana tá comendo o macaco! É o poder pelo poder! Achei que eles mudariam a política de Osasco. E mudaram. Para pior. Não têm credibilidade, trocaram o quê e pra quem, pelo quanto.

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