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Ladislau Dowbor apresenta seu novo livro “A era do capital improdutivo”

Curso no Sindicato dos Bancários
portalregiaooeste
junho06/ 2018

A décima sétima aula do curso “Brasil: Política, Economia e Sociedade no Século XXI”, promovido pela Subsede da CUT-SP em Osasco, em parceria com o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. Realizada no dia 04 de junho, na cidade de Osasco, contou com o renomado economista e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, que apresentou o seu novo livro “A era do capital improdutivo”. Nessa publicação ele analisa os efeitos da globalização econômica e financeira no atual mundo do conhecimento e desenvolvimento tecnológico acelerado. Desvenda a nova arquitetura do poder apontando que ela está agora sob a dominação financeira dos bancos, que sequestram a democracia e estão destruindo o planeta, ao manter e estimular um modo de produção que está poluindo de morte o planeta terra.

Dowbor critica os absurdos e elevados juros que são cobrados do consumidor brasileiro no oferecimento de crédito pelos bancos. Juros que estão entre os mais altos do mundo, configurando uma verdadeira agiotagem. Onde existe um Estado de Bem Estar Social, a lógica é inversa, com o Estado investindo em políticas sociais e garantindo juros muito baixos para consumo e crédito. Assim, nos países desenvolvidos que ainda mantêm um Estado de Bem Estar Social, privilegia-se o consumo coletivo e não o consumo individual. Portanto, a prioridade dos governos e do Estado é garantir serviços públicos de qualidade na saúde, educação e outras áreas sociais. Serviços que estão disponíveis para o consumo de todos, em particular os mais pobres, que necessitam mais da ajuda do Estado.

Apresentou dados que evidenciam a força econômica mais importante para o crescimento econômico dos países: o consumo das famílias. No Brasil equivale a 60% do PIB. Por isso, defende que os governos priorizem uma maior oferta com mais qualidade de serviços públicos, de modo que as famílias possam consumir produtos coletivos que melhoram diretamente a qualidade de vida. Nos anos dos governos Lula e Dilma, com o pleno emprego, o aumento da renda, a redução dos juros e a grande oferta de programas sociais, o endividamento das famílias reduziu.

“Após o golpe de Estado que derrubou Dilma em 2016, e o início do governo Temer, a dívida das famílias tem aumentado muito, em função da alta dos juros e da exploração abusiva dos bancos na oferta de crédito para o consumo das famílias”, destacou o economista. “Com menos consumo familiar e das pessoas no geral, ocorre menos produção nas indústrias, menos vendas e o aumento do desemprego”, completou.

Para o professor a nova forma de exploração capitalista é a exploração dos serviços de créditos com juros abusivos que afetam, especialmente, os mais pobres que ficam cada vez mais endividados. Frisou que no Brasil temos uma verdadeira bolsa banqueiro, com os bancos ficando com mais de 20% do PIB. “Antigamente o setor produtivo dinamizava a economia e agora está também sendo explorado pelos bancos. Os banqueiros ocupam postos chaves nos governos do Brasil e dos principais países do mundo, e como hoje rende mais lucro aplicar o dinheiro financeiramente do que na produção, estamos vivendo a era do capital improdutivo, parado e aplicado nos bancos com fins meramente rentáveis”, analisa Dowbor.

No mundo da internet e tecnologias da informação, a economia do conhecimento é hoje o principal fator de produção. Esse fator é geralmente bloqueado pela elite econômica dos países que impede o conhecimento democrático e absorvido por toda a sociedade, de modo que a elite continue a controlar o poder político e econômico. Para Ladislau o maior problema do desenvolvimento das sociedades atuais, está no fato das especulações e aplicações financeiras renderem mais do que é investido na produção. “A tendência nesse cenário é de uma maior concentração da renda e aumento da pobreza no Brasil e no mundo. É grave o fato do sistema financeiro ser globalizado e os controles dos fluxos de capitais serem nacionais, o que favorece aos especuladores e grandes capitalistas. Por isso a necessidade da criação de bancos públicos e comunitários e o fortalecimento da economia solidária e dos processos colaborativos, como alternativas para enfrentar e combater a atual concentração de poder político e recursos econômicos dos bancos”, finalizou.

As aulas do curso, abertas aos interessados, são realizadas semanalmente, das 19h às 22h, no auditório da sede do Sindicato dos Bancários, em Osasco (Rua Castelo Branco, 150).

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