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Preços do diesel poderiam ser menores, afirma sindicalista

Alexandre Castilho
Paulo Marcelino
abril19/ 2019

Segundo matéria da Folha de são Paulo (19),a Associação de Importadores de Combustíveis (Abicon), alega que mesmo com o último aumento de preços de 4,8% da Petrobras, existe uma defasagem no preço do diesel e gasolina em relação ao mercado internacional.Por outro lado,o diretor do sindicato dos petroleiros,afirma que os preços dos combustíveis podem ser menores. Para falar sobre a política de preços do governo para os combustíveis, o Portal Região Oeste conversou com o Diretor do Sindipetro Unificado SP, Alexandre Castilho.

Portal Região Oeste. Como funciona a atual política de preços da Petrobras?
Alexandre Castilho. Atualmente a política de preços da Petrobras está totalmente atrelada às flutuações do mercado internacional do barril de Petróleo. E o que se vê são constantes aumentos dos preços dos combustíveis nas bombas de abastecimentos.

Portal Região Oeste. Sempre foi assim?
Alexandre Castilho. Não. Até 2016, a formação dos preços dos combustíveis era um mesclado de custos, a maior parte tinha como base a produção nacional do petróleo e outra parte, bem menor, era baseado no preço internacional do barril do Petróleo. A soma dessas partes resultava na composição final no preço do combustível para todo o País.

Portal Região. E por que essa mescla?
Alexandre Castilho. Para chegar ao preço final dos combustíveis eram considerados os custos internos do petróleo nacional, mais uma pequena porcentagem do petróleo importado para compensar alguns itens, também importados, na cadeia de produção e distribuição de combustíveis .

Portal Região Oeste. Na prática o que esse modelo com predomínio na produção nacional e, também, nos custos internos, resultava para a população daquela época ?
Alexandre Castilho. Com certeza a população se beneficiava muito com esse modelo. No período de 2002 à 2014, os então governos Lula-Dilma consideravam a Petrobras como uma estatal estratégica para benefício de todo o País, cuja função principal era gerar trabalho e renda a partir de sua cadeia de extração, refino , distribuição e fortalecimento da indústria naval brasileira . Bem como manter os preços competitivos e acessíveis aos trabalhadores. Naquele período, a variação de preços da gasolina era de R$ 2,80 a R$3,50, do diesel era R$ 2,60 a R$ 3,00 e do gás de cozinha R$ 48,00 a R$ 50,00. Isso prevaleceu por muitos anos. Porém, tudo mudou com a internacionalização dos preços dos combustíveis no governo Temer e hoje é mantido e defendido pelo governo Bolsonaro. Hoje, no Rio Grande Sul, a gasolina já chegou a R$ 5,00.

Portal Região Oeste. A que se deve essa mudança de política de preços tão radical?
Alexandre Castilho. O atual governo e sua equipe econômica, enxergam a Petrobras somente como uma empresa de mercado que deve gerar dividendos aos seus acionistas nacionais e internacionais. Não passa pela cabeça desse novo governo enxergar a estatal como um instrumento socialmente estratégico e que assegura a soberania nacional. Daí o aumento desenfreado dos preços dos combustíveis que tanto prejuízos traz à população, sobretudo aos setores mais pobres que já sofrem com desemprego.

“A Petrobras não precisa praticar no Brasil os mesmos preços do diesel praticados no exterior”, afirma Alexandre Castilho

Portal Região Oeste. A Petrobras ainda pode praticar preços mais acessíveis para a população?

Alexandre Castilho. Sim. A Petrobras ainda pode praticar preços competitivos no mercado nacional. Nós não temos que acompanhar os preços internacionais. A Petrobras pode muito bem vender o barril de petróleo para o mercado internacional nos preços praticados no mercado externo com o óleo cru. Porém, pra produzir o combustível no Brasil ela pode entrar com o custo de produção nacional e voltar a praticar preços competitivos no mercado nacional. Ou seja, eu uso a minha riqueza de petróleo pra ter lucro vendendo no preço normal internacional pra todos os países, mas para o consumo interno utilizo os custos de produção nacional . Dessa forma, protegemos o povo brasileiro com preços muito melhores dos que são praticados atualmente. E não os interesses das multinacionais petrolíferas e grandes grupos econômicos que só querem seus lucros sempre maiores. Como vimos, mudando a atual política de preços baseado no mercado internacional, é possível praticar preços nos patamares de 2015, finaliza.

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