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“Governos anteriores controlavam instituições de investigação”

São Paulo – O ministério Público comemora a superação da meta de 1,5 milhão de assinaturas para a campanha Dez Medidas contra a Corrupção. Evento de celebração ocorreu na Procuradoria da República em São Paulo e contou com a presença dos procuradores da República, Carlos Fernando dos Santos Lima e Thiago Lacerda Nobre (Rovena Rosa/Agência Brasil)
portalregiaooeste
março31/ 2016

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato, disse esperar que a operação siga com independência para atuar. E destacou uma virtude do governo PT nesse sentido. “Aqui temos um ponto positivo que os governos investigados do PT têm a seu favor. Boa parte da independência atual do Ministério Público, da capacidade técnica da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle das instituições, mas esperamos que isso esteja superado”.

A fala do procurador foi interpretada, nos bastidores, como um recado indireto a um possível governo de Michel Temer, em caso de impeachment da presidente Dilma. “Em um País com instituições sólidas, a troca de governo não significa absolutamente nada. Quero crer que nenhum governo no Brasil signifique alterações de rumo no Ministério Público, no Judiciário, na Polícia Federal. Deveria ser assim”, afirmou, desta vez ao ser questionado sobre a possibilidade de Temer assumir a Presidência. “Queremos simplesmente que as instituições continuem livres para continuar a fazer o que a lei exige delas”, completou.

O pronunciamento de Lima aconteceu em palestra na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos, Amcham, em São Paulo. Na sequência, ele concedeu entrevista coletiva e seguiu na mesma linha. “Nós temos riscos de obstaculização da operação quase que diariamente as interceptações telefônicas mostram isso. Colaboradores mostram isso. Agora, creio que as pessoas perceberam que o risco de tentar obstruir a Lava Jato é muito grande”, disse, em referência aos grampos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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