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Governo Dilma não acabou, mostra Ibope

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portalregiaooeste
janeiro19/ 2016

Por PAULO MOREIRA LEITE ao 247

Ao examinar a visão dos brasileiros sobre 2016, uma pesquisa do Ibope estimulou profecias previsíveis em diversos Cavaleiros do Apocalipse de plantão nos tele-jornais. Compreende-se.

Para quem está empenhado em tentar demonstrar a incapacidade absoluta de Dilma Rousseff recuperar-se até o fim do mandato — melodia obrigatória para embalar o projeto de impeachment — a pesquisa deve ser apresentada como uma prova de que a paciência dos brasileiros esgotou-se e chegou a hora de mandar a presidente para casa sem muita demora.

O problema são os números. Para 50% dos brasileiros, o ano de 2016 será melhor do que 2015. Para 32%, será pior. Trata-se de um resultado claro, sem direito a tergiversações. Embora esse mesmo índice tivesse superado os 70% no início do primeiro mandato de Dilma, é impossível negar o significado de 50% no momento atual. A queda é inegável mas alguém vai achar que era inesperada?

O levantamento mostra que as mesmas pessoas que em todos levantamentos sobre o desempenho da presidente atribuem a Dilma os piores índices de aprovação da história das pesquisas de opinião, acham que o país pode melhorar até o final do ano.

Esta é uma grande notícia para qualquer governo, em qualquer época. Ainda mais para um país que atravessou um ano de recessão e corre o sério risco de repetir a dose em 2016, na opinião da maioria dos analistas, muitos deles simpáticos ao governo e ao PT.

Estes 50% mostram que iniciativas destinadas a melhorar a situação do país — ou pelo menos tornar o quadro menos ruim — terão acolhida junto a maioria dos brasileiros. Eles serão capazes de prestar atenção no que o governo vai dizer. Podem até acreditar que poderão vir medidas que podem dar certo. Para eles, em resumo, o governo não acabou.

Os dados sugerem que, mesmo com a popularidade baixíssima, o governo possui uma reserva de credibilidade para agir e tentar encontrar uma saída. Isso é ainda mais notável quando se considera o massacre permanente dos meios de comunicação contra tudo que se faz no Planalto. (Pode-se concluir, daí, que a mídia dispõe de uma credibilidade muito menor do que se costuma acreditar — mas não vamos discutir isso agora.)

A maioria de 50% a 32% mostra que a população pode não aprovar Dilma, mas não desistiu do país. Minha hipótese: isso pode acontecer porque, apesar do desastroso ano de 2015, não se perdeu inteiramente a memória das mudanças ocorridas no país.

Seja como for, os 50% dão ao governo uma margem para agir. Caso venha a atuar na direção certa, oferecendo respostas que interessam à maioria, pode-se até pensar numa recuperação de verdade.

Esta é a questão a ser encarada, agora.

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