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“Estou tendo meus direitos torturados”

Brasília - Em declaração à imprensa, a presidenta Dilma Rousseff fala sobre a aprovação da abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados (Valter Campanato/Agência Brasil)
portalregiaooeste
abril19/ 2016

A presidente Dilma Rousseff fez, no final da tarde desta segunda-feira (18), seu primeiro pronunciamento após a aprovação, pela Câmara Federal, do prosseguimento do processo de impeachment. Após o pronunciamento, no Palácio do Planalto, ela também concedeu uma entrevista coletiva.

O tom de “golpe contra a democracia” foi reforçado por ela. “Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil. Isso porque a Constituição assim o prevê. Ela prevê que é possível [o impeachment] e está escrito, mas a Constituição estipula que é necessário a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Isso depois de receber os votos majoritários da população. Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada”, afirmou.

A presidente falou também que tem certeza de que os deputados sabem que ela não cometeu crime de responsabilidade. “Além disso, não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, não fui acusado de ter contas no exterior.” E, sem citar nomes, disse que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agiu por vingança, já que o PT não aceitou negociação de votos no Conselho de Ética, que apura se o deputado mentiu à CPI da Petrobrás.

Além disso, ressaltou que não vai desistir de lutar em nenhum momento e que não está em questão o seu mandato, mas sim a democracia. “Estou tendo meus direitos torturados, mas não vão matar a esperança, porque eu sei que a democracia é sempre o lado certo da história. E isso quem me ensinou foi a historia de meu país. Foram dezenas, centenas, milhares de pessoas que lutaram pela democracia.”

Sobre a continuidade do processo, a presidente demonstrou confiança em ser absolvida no Senado e se disse preparada para o “quarto turno”, numa referência às disputas políticas que enfrenta desde sua vitória no segundo turno das eleições de 2014. E reclamou que o Congresso não deu trégua nos últimos 15 meses e citou, como exemplo, as chamadas pautas bombas, que aumentariam o rombo no orçamento em R$ 140 bilhões. “Vejam vocês que, contra mim, praticaram sistematicamente a tática do quanto pior melhor. Pior para o governo, melhor para a oposição. As pautas bombas chegaram, no ano passado, a 140 bilhões”.

Entrevista
Já na entrevista, Dilma afirmou que a sociedade não gosta de traidores e reclamou de como a tática foi utilizada de forma explícita dentro do seu governo. “É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício de seu mandato, conspire abertamente contra a presidenta. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada, porque cada um de nós sabe a injustiça e a dor que se sente quando se vê a traição no ato”.

Questionada a respeito da “judicialização” do processo, com recurso ao Superior Tribunal Federal, ela foi enfática. Nós não vamos abrir mão de nenhum instrumento que temos para defender a democracia. “Não se trata de judicializar o processo, mas de exercer, em todas as dimensões e consequências, o direito de defesa”.

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