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Enquete sobre intervenção militar “bomba” perfil de ministro do STJ

Foto: Sérgio Lima
portalregiaooeste
setembro30/ 2017

Perguntas lançadas por Og Fernandes em seu perfil não passava de 100 votos. Já ao abordar o tema, foram 34 mil em 24 horas

O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Og Fernandes não estava entre os mais populares usuários do Twitter. Perguntas lançadas em seu perfil raramente ultrapassavam 100 votos. Até que postou: “O Brasil deve sofrer intervenção militar?”. Foram 34 mil votos em menos de 24 horas. Esse número só foi menor que a polêmica causada pelo tema. Parte da rede viu na pergunta um tipo de encorajamento à volta dos militares, enquanto outros não viram importância. Mas, até esta sexta-feira, o “não” tinha 53% dos votos e o “sim”, 47%. A enquete foi ao ar 13 dias após o mesmo assunto ganhar notoriedade por meio de fala do general da ativa Antonio Hamilton Mourão, que, em palestra, sugeriu que militares pensam em “derrubar esse troço todo” diante de tantos escândalos de corrupção. O ministro já havia abordados outros temas polêmicos, como “a democracia está em xeque?”; “a escola pública deve ter ensino religioso obrigatório?” e “é adequado o preso pagar pelo uso da tornozeleira eletrônica?”. E se defendeu, dizendo que se trata de um “gesto de auscultar os seguidores” e que a pergunta é “neutra”. A reação, segundo ele, reflete a polarização política dos tempos atuais. “Querem minha opinião? Meu dever é cumprir a lei. Sou seguidor da lei, da Constituição e da democracia no Brasil. Faço isso todo dia. Acalmem-se. De mim não verão qualquer manifestação fora da lei. Obrigado aos que entenderam o intuito da enquete”, postou. Fernandes é ex-jornalista e ex-professor de colégio militar. Pernambucano, tem 65 anos e é ministro do STJ desde junho de 2008, a partir de indicação do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em agosto de 2016 tornou-se também ministro substituto do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Antes da enquete, havia ganho notoriedade com algumas decisões judiciais, como a promulgada em junho, quando assegurou a uma aposentada de 77 anos o direito de manter em sua casa um papagaio, há 17 anos na companhia da idosa. Também em junho, ele autorizou abertura de inquérito contra o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), citado na delação da Odebrecht, em um dos desdobramentos da Lava Jato. Além disso, em 2011 votou a favor de defender a validade das provas da Operação Castelo de Areia, que investigava pagamento de propinas pela empreiteira Camargo Corrêa para conseguir contratos de obras públicas. Mas foi voto vencido.

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