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Em “sessão popular”, artistas protestam contra moção de vereadores

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portalregiaooeste
outubro24/ 2017

Nas duas últimas sessões da Câmara Municipal de Osasco, mesmo com projetos importantes na pauta, as discussões foram dominadas por monções de repúdio a ações que envolvem a Secretaria da Cultura de Osasco. Dentre os estopins, a produção de um convite, apoiado pela pasta, para um evento de grafite que trazia os super-heróis Batman e Superman se beijando e a apresentação de uma peça, realizada com programa de incentivo do governo de Estado (ProAC) no Calçadão da rua Antônio Agu, trazendo como personagens policiais travestidos de mulher. Isso foi o suficiente para que um grupo de vereadores, liderados por Daniel Matias e Ribamar Silva, iniciassem uma campanha contra a liberdade artística e pela saída do secretário Gustavo Anitelli da pasta.

A resposta da classe artística de Osasco, que já havia organizado, na última sexta-feira, um ato em frente à prefeitura, protestando contra a censura capitaneada por esse grupo de vereadores, ganhou ainda mais força na tarde desta terça-feira. Enquanto a sessão oficial acontecia no plenário, um grupo de artistas realizou uma “sessão popular”, do lado de fora, na qual foi aprovada uma moção de repúdio à moção dos vereadores contra a peça “Blitz, o império que nunca dorme”. No documento, o grupo pede “democracia” e o fim da “censura”. Além disso, manifesta “profunda indignação frente aos ataques desferidos por vereadores contra a produção e expressão cultural” em Osasco.

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Durante o final de semana, o secretário Gustavo Anitelli divulgou, nas redes sociais, vídeo em que rebate críticas dos vereadores. “É interessante esse momento do país onde tem gente que se choca mais com a vestimenta feminina num policial ou numa policial do que com o assassinato da juventude osasquense. É por isso que a manifestação artística a gente não censura. Censurar a manifestação artística é censurar a pluralidade de ideias”, disse ele. Anitelli reforçou ainda que não vai aceitar censura. “Quem me conhece, sabe que tenho feito uma gestão democrática. Claro que vou ter erros e posso ter muitos, mas uma coisa eu queria deixar claro: o que não podem é me condenar pela virtude do trabalho que a gente tem feito, que é de liberdade, diálogo e jamais aceitar censura e corrupção”, disparou.

O protesto não foi o primeiro enfrentado pelos vereadores após adotarem atitudes consideradas como censura a arte e também homofóbicas. Após a monção de repúdio contra o convite trazendo desenho dos super-heróis se beijando, representantes do movimento LGBT tomaram plenário, tendo como principal alvo o vereador Daniel Matias, que havia classificado o material como uma “agressão à família”.

O vereador é autor do projeto que, sob a mesma alegação, previa a proibição de discussão de gênero as escolas de Osasco. Após muita polêmica e também protestos, ele retirou a proposta, pois também corria risco de sofrer ação de inconstitucionalidade.
Mas as polêmicas envolvendo os vereadores não param por aí. Pelé da Cândida foi alvo de outro protesto, desta vez por um movimento de mulheres, após ter ofendido e até ameaçado de morte a vereadora Régia. O partido da vereadora entrou com pedido de cassação de seu mandato.

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