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Em meio a denúncias de contratos superfaturados e desvio de mais de R$ 50 milhões na saúde de Osasco, secretário de Rogério Lins sofre atentado a balas

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portalregiaooeste
junho06/ 2020

Em um cenário político que inclui investigação pelo Ministério Público Estadual (MPE) e apuração pela Ação Popular 1006250-83.2020.8.26.0405, sobre desvio de mais de R$ 50 milhões dos cofre públicos na área da Saúde da cidade de Osasco, o secretário da pasta, Fernando de Oliveira, conhecido como Bola, sofreu na quinta-feira, 4/5, um atentado em que seu veiculo foi atingido por cinco tiros. Com o carro alvejado de balas, Bola saiu ileso da emboscada. Um dos projéteis chegou a atravessar a blindagem do automóvel.

O caso foi registrado no 5º DP da cidade. Segundo perícia técnica, criminosos usaram uma pistola 9 milímetros, arma que é de uso exclusivo das Forças de Segurança.

Em entrevista à TV Globo, o prefeito Rogério Lins, do Podemos, disse desconhecer se o ato contra o secretário teve relação com o rompimento de contrato com a Organização Social (OS), Instituto Esperança e Vida (IEV), que no mesmo dia havia gerado a demissão de cerca de 200 funcionários, entre médicos, dentistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

As investigações que estão em andamento averiguam possíveis desvios de recursos e fraudes feitos por meio de contratos emergenciais superfaturados e sem licitação para unidades de combate ao novo coronavírus (Sars-Cov-2).

ENTENDA O CASO
O prefeito de Osasco Rogério Lins, contratou sem licitação, o Instituto Esperança e Vida, por mais de R$ 50 milhões, para a gestão (terceirização) de 18 Unidades Básicas de Saúde e dois Centros de Terapia Intensiva (CTI) para tratamento de pacientes do Covid-19. O primeiro contrato (UBSs) ficou em R$ 28 milhões e o segundo (CTIs) em R$ 23 milhões.

Após intensa mobilização dos servidores da saúde e denúncias do Conselho de Saúde, que questionam as razões para a terceirização das UBS, o prefeito resolveu fazer um termo aditivo e reduzir para 6 UBS.
De acordo com o prefeito, o contrato com a OS, que era de até seis meses, foi interrompido unilateralmente, porque o atendimento estava bem abaixo da média esperada.

No entanto, a fala do prefeito contradiz-se com os números de mortes por Covid-19 no município. Com quase 700 mil habitantes, Osasco é a cidade com maior mortalidade (por 100 mil habitantes), pelo novo coronavírus, no Estado de São Paulo, ficando atrás apenas da Capital. O município contabiliza 346 óbitos, liderando também o ranking na região Oeste em número de infectados, com 4058 casos confirmados e quase 2 mil casos em análises, até sexta-feira, 5 de maio.

O vereador Tinha di Ferreira, autor de um pedido de CPI na saúde, afirma que o rompimento com a OS ocorreu porque o prefeito cometeu ilegalidades nas contratações e já foi intimado a depor na ação popular. “O prefeito encerrou o contrato numa clara tentativa de burlar a justiça. Em 2 meses ele pagou R$ 11.911.084,12 ao Instituto. Se a OS, contratada por R$ 23 milhões, não estava atingindo as metas, por que houve o pagamento? E por que manteve a mesma OS para gerenciar os outros pontos de Centro de Tratamento Intensivo (CTI) que ficam no Pronto Socorro do Santo Antonio e no Pronto Socorro Osmar Mesquita?”, disparou.

“A categoria foi surpreendida e infelizmente veio essa quebra de contrato de um dia para o outro”, disse Juarez Henrique de Paulo, vice-presidente do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco.

PANCADARIA
Interlocutores da política local, afirmam que nunca uma gestão do executivo da cidade esteve tão sem comando como a de Rogério Lins.

ARENA –Em reunião no gabinete do prefeito, no início de maio, o secretário de saúde, Fernando Bola, teria “partido para a agressão”, contra o secretário de Finanças, Pedro Sotero. Segundo informações obtidas pelo Portal, o primeiro escalão não aguenta mais a petulância do mandante da pasta de Finanças. Ainda na oportunidade, Bola teria pedido demissão ao prefeito, que presente na reunião, “ficou mudo”.

Segundo fontes, a pancadaria entre os secretários se deu porque Sotero estaria efetuando pagamentos apenas aos fornecedores “mais próximos” dele. A reportagem do Portal, também recebeu vídeos e imagens, da reunião realizada por Bola com servidores da Saúde, após o ocorrido.

Dias antes da briga entre Bola e Sotero, o secretário de Assuntos Jurídicos Ivo Gobatto Junior, também se desentendeu com o secretário de Finanças. Ambos tiveram uma briga pesada dentro do Gabinete do Prefeito.
EX-PRESIDIÁRIOS – Fernando assumiu a pasta da Saúde de Osasco em abril do ano passado, sendo o terceiro a assumir o cargo na gestão de Lins, substituindo João de Deus. Fernando Bola já foi preso por tráfico de drogas e também é investigado pela Máfia das Próteses em 5 hospitais estaduais de SP, e Rogério Lins preso em dezembro de 2016, em uma das fases da operação Caça-Fantasmas, do Ministério Público de São Paulo.

Em 20 de dezembro de 2018, o ex-deputado estadual e então atual secretário de Transportes de Osasco, Osvaldo Verginio, foi morto a tiros. O Boletim de Ocorrência foi registrado também no 5º Distrito Policial (DP) de Osasco, e após quase dois anos do crime, o motivo do assassinato ainda é desconhecido. Há, no entanto, indícios de características de execução pois os criminosos fugiram, na ocasião, sem levar nada.

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