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Dias piores virão

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portalregiaooeste
dezembro12/ 2018

Texto: Diretoria do Sinprosasco

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diplomou na última segunda-feira, 10, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). No discurso, Bolsonaro afirmou que “o poder popular não precisa mais de intermediação” porque as novas tecnologias criaram uma nova relação entre eleitor e representantes.

Em 1º de janeiro, Bolsonaro receberá a faixa presidencial de Michel Temer, e assumirá o controle da presidência do Brasil. Duas semanas depois aproximadamente, ele deve se afastar do cargo, e Mourão assumirá a Presidência por pelo menos duas semanas, tempo médio para recuperação da operação de retirada da bolsa de colostomia, que Bolsonaro carrega.

Um vice-presidente tem a responsabilidade de assumir o País na ausência do titular, seja temporária (em viagens ou motivos de doença) ou definitiva (em caso de renúncia, impeachment ou morte). O general reforça o discurso contra o PT, contra a corrupção e contra os políticos tradicionais. Ao lado de Bolsonaro, ele também redobra a mensagem de enaltecimento da ditadura militar (1964-1985) e de torturadores do regime. Essa atitude solidifica o apoio de um eleitorado conservador.

Para Eric Nepomuceno, jornalista do blog Nocaute, de Fernando Morais, assim que Bolsonaro assumir a presidência, dias piores virão. Segundo ele, quem de fato governará o País nesse primeiro momento será Mourão que, nas palavras de Nepomuceno, “não é descerebrado como Bolsonaro. Ele tem sim, um cérebro, e que cérebro”, mencionou com preocupação em vídeo.

“Quem vai governar o Brasil, como se fosse um primeiro ministro, será o general Hamilton Mourão. Ele vai se apoiar nos outros generais fundamentais para elaborar o plano de governo. Vai governar tendo dois super ministros. Um especulador do mercado financeiro, Paulo Guedes, e outro, verdugo inquisidor, que agora se transformou em carcereiro, Sergio Moro. O resto dos ministros é uma confusão de mil demônios, um sindicato de bizarrices, de mediocridade. Enquanto houver um governo fundamentalista, de extrema direita, a batalha vai ser tenebrosa”, disse.

Ao longo da campanha, após algumas declarações de Mourão serem consideradas desastrosas pela cúpula da campanha, o próprio Bolsonaro pediu para que ele evitasse polêmicas.

Mourão chegou a sugerir uma nova Constituição escrita por notáveis, disse que famílias apenas com mãe e avó eram “fábricas de desajustados” e que o 13º salário pago aos trabalhadores é uma “jabuticaba”, numa crítica de que isso só acontece no Brasil. Mourão reforça o perfil conservador da chapa eleita.

O general da reserva ingressou no Exército em 1972, já no oitavo ano de vigência da ditadura militar. Ele foi aluno e, depois, instrutor, da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), no Rio de Janeiro – que Bolsonaro também frequentou –, além de ter sido adido militar do Brasil na Venezuela e de ter participado de missão de paz em Angola.

O discurso de maior repercussão na carreira de Mourão ocorreu no dia 15 de setembro de 2017, quando ele ainda era general da ativa. Na ocasião, ele dava uma palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, quando recebeu uma pergunta da plateia, por escrito, sobre a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil. O País vivia, naquele momento, uma discussão sobre a segunda denúncia criminal contra o presidente Michel Temer, que a Câmara dos Deputados votaria no mês seguinte.

Na resposta, gravada em vídeo, o general diz duas coisas opostas. Primeiro, ele negou a possibilidade de um golpe e disse que as Forças Armadas se atêm ao que diz a Constituição. Depois, explicou que, num caso extremo, os militares poderiam intervir.

Segundo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o vice precisava “ser alguém que não compense correr atrás de um impeachment” de Bolsonaro. “Sempre aconselhei o meu pai: tem que botar um cara faca na caveira para ser vice”, disse ao jornal Folha de S.Paulo.

O militar, que passou à reserva do Exército em fevereiro de 2018, foi escolhido após negativa ou desacertos com quatro outros nomes, entre os quais a advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Expoentes da direita, como os filhos de Bolsonaro e o ex-ator Alexandre Frota, eleito deputado federal pelo PSL neste ano, estavam no palanque, e discursaram para uma plateia na qual muitos espectadores vestiam camisetas com estampas militares.

Neste último fim de semana, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), identificou que o policial militar e ex-assessor parlamentar do filho de Bolsonaro, Fabrício José Carlos de Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações seria um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Sobre o episódio, Mourão disse: ‘Ele precisa dizer de onde saiu este dinheiro. O Coaf rastreia tudo. Algo tem, aí precisa explicar a transação, tem que dizer”, afirmou o general.

De fato a sociedade aguarda ansiosamente por uma explicação coerente e razoável e espera que Nepomuceno esteja errado ao afirmar que “dias piores virão”.

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