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Deputado Marco Feliciano é acusado de tentativa de estupro

Feliciano
portalregiaooeste
agosto05/ 2016

Uma jovem estudante de Brasília, de 22 anos, militante da Juventude do PSC, acusa o deputado federal Masco Feliciano (PSC-SP) de assédio sexual, agressão grave e tentativa de estupro. E há dias apresentou o que aponta como provas da tentativa. Acompanhado do advogado da Coluna (OUL), o repórter se encontrou com a estudante numa cafeteria no Sudoeste, na quinta-feira (28) à tarde, e ouviu o seguinte relato abaixo. O jornalista Emerson Biazon, que veio de São Paulo para orientá-la, foi testemunha:

Youtuber e famosa na internet (tinha uma página no Facebook com mais de 200 mil seguidores, segundo conta, e que misteriosamente foi ‘derrubada’ do ar), frequentadora da mesma igreja de Feliciano, ela viu o deputado se aproximar muito intimamente nos últimos meses. Passaram a ser amigos quando ele propôs ser seu guia espiritual.

Apartamento funcional
Segundo a jovem, o episódio da agressão ocorreu, no apartamento funcional dele, na quadra 302 Norte na capital federal. Era manhã da quarta-feira dia 15 de junho em Brasília quando uma desconhecida tocou insistentemente a campainha da sala até ser atendida pelo inquilino, esbaforido e tenso.

A estranha disse que ouvira gritos e perguntou se estava tudo bem; ele acenou que sim, e ela errara a porta. O engano, porém, foi pertinente A vítima relata que era agredida e gritava por socorro – e se salvou de sexo à força. O agressor era, segundo ela, o deputado federal Marco Feliciano, pastor evangélico e propagandeado como um dos bastiões da moralidade familiar.

“Você está gritando muito”! Vai embora! ”, teria dito Feliciano. Até o som da campainha, Feliciano a agredira com um soco na boca e puxões pelo braço para sua suíte, relata a jovem. Após ver negada a proposta de ela ser sua amante com alto salário e cargo comissionado no PSC, ele passou a agredi-la fisicamente. Ela narra que tentou beijá-la após o soco, os lábios sangravam. Deixou-se arrastar para o quarto dele com o medo de a situação piorar e por temer por sua vida, mas continuou lutando, até a desconhecida aparecer na porta errada. “Ele estava diferente, com os olhos vermelhos. Ele queria que eu terminasse com meu namorado e ficasse com ele”, conta.

Diálogos gravados
Poderia ser invenção de uma garota que tenta fama na internet com o caso, não fossem as transcrições entregues por ela. Ela o procurou depois, e deu-se a seguinte conversa pelo aplicativo Telegram em mensagens do celular que são atribuídas ao deputado Feliciano. Num encontro há semanas, segundo ela relata, ele pegou o seu celular à força e apagou todas as mensagens entre eles, mas a jovem conseguiu resgatá-las no iCloud de seu computador.

Atualização, 5/8, 9h30 – Ela ‘teclou’ com ele no Telegram, por chat privado – quando o celular é configurado para que as mensagens se apaguem automaticamente em segundos ou minutos. Daí a plausibilidade da situação para o deputado se sentir seguro em digitar as frases, pensando que seriam apagadas. Dois funcionários do PSC confirmaram que o número do celular era o pessoal usado pelo pastor-deputado, que trocou de telefone há dias:

Assédio moral
Desde que decidiu denunciar o caso – nas trocas de mensagens com este repórter ela disse em momentos seguidos que não recuaria – a jovem se viu cercada pelas mais diversas pessoas com interesses não muito claros. Ela conta que procurou ajuda com importantes nomes do PSC, os quais a mandaram ‘sumir’. Até o caso chegar à mídia, através de um amigo ex-professor.

Nos últimos dias, ela relatou os acontecimentos para o repórter da UOL: um homem do Rio ligou para ela, ciente da história, se apresentando como agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e perguntando quem a estava ajudando. Foi desmascarado quando a Coluna consultou a associação de servidores da Agência. Seu número de celular e seu nome estão nas mãos das autoridades.

A página dela no Facebook foi retirada do ar repentinamente – e ela teria recebido um alerta de assessores de Feliciano (aqui, mais um mistério, há dois dias sua página voltou ao ar, e é por ela que a garota tenta se explicar após mudar de opinião). Na quinta-feira, surgiu em Brasília vindo de São Paulo o jornalista Emerson Biazon, a pedido da mulher, para orientá-la. O advogado da Coluna foi testemunha.

Sumiço misterioso
A estudante saiu de Brasília no sábado, e disse que precisava de um tempo, mas há informações de que ela continua assessorada por Biazon, que não deu mais notícias nos telefones que deixou com a Coluna, apesar das tentativas de contato nos últimos dois dias. A jovem sumiu do radar de sábado até a madrugada desta terça, quando contatou o repórter e disse que estava bem – ela só retornou às ligações após coincidentemente o repórter procurar o assessor de Marco Feliciano.

A manhã desta terça-feira seria mais uma misteriosa do caso polêmico não fosse a atitude de um outro jornalista, que soube primeiro do episódio. Ciente de que ela sumira de Brasília, com o intuito de ajudar, segundo relata, e preservar a integridade da garota, seu ex-professor Hugo Studart publicou na sua página no Facebook o caso, nomeando Feliciano e citando as iniciais da garota – mais mistério, à tarde seu post foi tirado do ar, não foi ele.

Youtuber – como já citado – a jovem enfim resolveu aparecer diante da polêmica. Vale lembrar que o professor em nenhum momento cita seu nome, embora revele a polêmica e nomeie o deputado. Mas para a surpresa de todos os envolvidos na história, a ela gravou um vídeo de poucos segundos elogiando Feliciano e chamando o professor de mentiroso.

Confrontada pela Coluna diante de todo o histórico de mensagens trocadas com o repórter, e de testemunhas no encontro no café, e das evidências de provas passadas por ela, retirou o vídeo do ar.

Respostas
Atualização terça, 2, 20h41 – O jornalista da UOL entrou em contato com Talma Bauer, delegado civil licenciado de São Paulo e assessor de Feliciano. Ele disse que não conhece a garota, e que não havia agenda disponível hoje para conversa com o repórter sobre o caso. Avisado por e-mail para uma posição oficial do parlamentar, não respondeu a mensagem enviada na manhã desta terça (2). Às 20h30 enviou uma nota oficial:

“Informo que desconheço tais acusações e as referidas mensagens postadas. Conheço a jovem por meio de sua participação no PSC, é uma grande lutadora contra o aborto e a favor das causas sociais. A conheço da mesma forma que conheço tantos outros jovens ao meu redor”.

Segue a nota do assessor de Feliciano: “Tenho uma honra ilibada e tais acusações são descabidas. Respeito minha família, o povo brasileiro e principalmente minha fé! E peço que assim o façam! Assim eu encerro tal assunto, deixando nas mãos das autoridades”. (A jovem relatou à coluna da UOL que se encontrou com Bauer durante uma hora numa lanchonete em Brasília).

Há informações de que a garota tenta, agora, explicar sua versão para jornais e revistas. Por se tratar de um episódio grave envolvendo uma jovem e um conhecido parlamentar, muito votado, e com história ainda mal explicada, cabe às autoridades policiais tomarem a frente da situação para esclarecer à população.

Via OUL

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