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Delação de Delcídio estremece Brasília e a política nacional

Brasília - Reunião da oposição no Congresso sobre a Delação do senador Delcidio do Amaral (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
portalregiaooeste
março16/ 2016

A deleção premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), homologada nesta terça-feira (16) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), não deixou pedra sobre pedra na política nacional. Ele faz citações dietas à presidente Dilma Rousseff, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

O acordo prevê que Delcídio possa continuar a exercer o mandato de senador e limita a 15 anos de prisão o tempo máximo de pena a que ele pode ser condenado ao fim do processo. Desse total, ele poderá permanecer em regime de prisão semiaberto domiciliar por um ano e seis meses, dormindo em casa, mas podendo sair para exercer o mandato. Também foi permitido que ele parcele em até dez anos a multa de R$ 1,5 milhão que foi obrigado a pagar em decorrência das irregularidades investigadas. Esse valor será dividido em 80% para a Petrobras e 20% para a União.

Com relação a Mercadante, o senador entregou gravações à PGR (Procuradoria-Geral da República) de conversas de um de seus assessores com o ministro da Educação, nas quais ele tenta evitar a delação de Delcídio, oferecendo ajuda financeira e lobby junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) para sua soltura.

Em outro termo de sua delação premiada, o senador afirmou que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), recebeu propina de Furnas, empresa de economia mista subsidiária da Eletrobras. A declaração de Delcídio confirmou depoimento prestado pelo doleiro Alberto Youssef, que também afirmou que Aécio recebia propina de Furnas, mas não houve abertura de inquérito para investigar o caso.

Delcídio do Amaral também afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de reunião que selou a indicação de Nestor Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras. Essa reunião, segundo Delcídio, ocorreu no início de 2003, no Palácio do Planalto.

O parlamentar declara ainda aos investigadores que a presidente Dilma usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros envolvidos na Lava Jato junto ao STF (Superior Tribunal Federal) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O senador, em seu relato, cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quando da oposição. Ele relata também que Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

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