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Paralisação geral em 14 de junho

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Jucelene Oliveira
maio17/ 2019

Balanço da greve nacional de 15 de maio; todos juntos para a paralisação geral em 14 de junho

Texto: Diretoria Sinprosasco

Os professores da rede pública e particular, os sindicatos e demais entidades de classe, os alunos e a sociedade como um todo estão de parabéns pelo resultado obtido na última quarta-feira, 15, na Greve Nacional da Educação.

A greve nacional foi a principal notícia da semana na imprensa brasileira. Segundo a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), mais de 1 milhão de pessoas participaram dos protestos, que marcaram a primeira grande paralisação contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Os protestos e paralisações ocorreram em todos os estados do Brasil e no DF. Houve manifestações em mais de 200 cidades do país.

Além de lutar contra a proposta da reforma da Previdência do governo Bolsonaro (PSL), a greve ainda trouxe, em uníssono, forte oposição em relação aos cortes de verbas nas universidades públicas e ao cancelamento de mais de 3.000 bolsas de pesquisa anunciados pelo Governo Federal no fim de abril.

Segundo o jornal Brasil de Fato, diferentemente de outras coberturas jornalísticas relacionadas a mobilizações populares, as manifestações contra o corte de 30% no orçamento das universidades e institutos federais “foram amplamente divulgadas na mídia comercial”.

Na avaliação do jornalista Rodrigo Vianna, a cobertura do canal fechado da Rede Globo, a Globo News, mostrou o que realmente estava acontecendo nas ruas, sem o afastamento comum adotado pela emissora em outras reportagens, na tentativa de esvaziar as manifestações.

“Ao longo do dia [a GloboNews] colocou as imagens das ruas, inclusive imagens dos detalhes dos cartazes que as pessoas portavam. Em vários momentos ressaltava-se na cobertura que era uma manifestação pacífica e por mais educação. Isso tudo, de alguma maneira, ajudou também a dar tranquilidade para que as pessoas fossem para a rua. Uma cobertura correta no sentido de dar a dimensão do que foram essas manifestações, tão amplas nas ruas do Brasil. O que não ocorreu em outros momentos”, comenta Vianna.

Veículos mais alinhados ao governo, como Band e Record, conforme observou Samuel Lima, pesquisador do Observatório da Ética Jornalística da Universidade Federal de Santa Catarina (ObjETHOS/UFSC), deram espaço para as justificativas do governo para os cortes na educação, mas ainda assim ponderaram a forma como o contingenciamento foi feito.

Em relação aos jornais impressos, Rodrigo Vianna destaca a cobertura da Folha de S. Paulo, do Estadão e do O Globo. “A capa desses três jornais não embarcam na narrativa de Bolsonaro de que foi uma manifestação de desordeiros, de imbecis, de esquerdistas. Destaca as multidões, uma cobertura jornalística correta, e a batalha pela educação, contra os cortes”, pontuou o jornalista.

Além do contingenciamento de repasse destinado a universidades federais e a programas de pesquisa, os estudantes também protestaram contra as declarações polêmicas do ministro da Educação Abraham Weintraub, que associou o corte a atos de “balbúrdia”. Os manifestantes também reagiram à difamação das instituições de ensino superior que têm sido alvo por meio de correntes via WhatsApp.

Como não poderia passar incólume, o presidente Jair Bolsonaro disse a jornalistas, em Dallas, nos EUA, que os manifestantes que estavam nas ruas em defesa da educação eram “massa de manobra” e “idiotas úteis”.

“É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”, disse o presidente.

A vice-presidente da UNE, Jessy Dayane Santos, rebateu as declarações de Bolsonaro. “Só lamento que ele nos ache idiotas, mas somos brasileiros e brasileiras responsáveis com o futuro da nossa nação”, afirmou.

A professora aposentada do Instituto de Matemática e Estatística da USP, Heloísa Borsari, saiu de casa para se juntar aos estudantes no protesto. Para ela, o atual governo chama a atenção por ter conseguido atrair para o conservadorismo a juventude, sobretudo na pauta ligadas aos costumes.
Questionada sobre a declaração de Bolsonaro, Heloísa brincou: “E ele é um idiota inútil. Mas bastante nocivo”.

De acordo com a FEPESP – Federação dos Professores do Estado de São Paulo, as manifestações de 15 de maio foram, na verdade, “o começo do fim do estado de descaso e provocação contra trabalhadores”. Segundo a entidade, “as manifestações em defesa da aposentadoria, contra a proposta de reforma da Previdência, pela educação de qualidade e pelo respeito ao trabalhador, continuarão”.

Para a FEPESP o governo deve se preparar para uma investida ainda mais forte: no próximo dia 14 de junho será a grande greve nacional contra o abuso do desgoverno que testa a paciência de professores e de todos os trabalhadores.

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