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80 mil defendem candidatura de Lula em Porto Alegre

lula porto alegre
portalregiaooeste
janeiro24/ 2018

Julgamento acontece neste momento, com transmissão ao vivo, em rede nacional

Cerca de 80 mil pessoas participaram da maior manifestação política da história de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, na tarde desta terça-feira, 23 de janeiro. Realizado na Esquina Democrática, o protesto foi organizado para defender a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República, em outubro. Centenas de artistas, políticos de diversos partidos e lideranças de movimentos sociais, entre outros, estiveram presentes.
Com transmissão em rede nacional, o TRF-4, em Porto Alegre, está julgando neste momento, o recurso do ex-presidente Lula contra a sentença do juiz Sergio Moro sobre o triplex do Guarujá. Em primeira instância, Moro condenou Lula a 9 anos e meio de prisão. Importantes juristas entrevistados pelo site Brasil247 afirmaram que não há provas para a condenação ser confirmada.

O criminalista Fernando Castelo Branco, coordenador do curso de pós-graduação de Direito Penal e Econômico do IDP-São Paulo, afirma que a sociedade está deixando de verificar se há elementos probatórios mínimos para essa condenação. “Há uma falta de atenção para o fator preponderante deste recurso. O dolo eventual passou a ser o carro-chefe nessa análise de culpabilidade. Com isso, não existe preocupação com a demonstração efetiva do dolo, que no caso de corrupção passiva é um elemento absolutamente indispensável. Ao se debruçar sobre a sentença do juiz Sergio Moro, verifica-se que não há uma prova dessa conduta voluntária e intencional por parte do ex-presidente. Tudo está no plano da conjectura e suposição. E isso é pior que uma cegueira deliberada”, criticou.

Para Castelo Branco, a sentença de Moro não prova a culpa de Lula. “E uma condenação sem a prova de culpabilidade é absolutamente temerária, que pode servir para questões relacionadas à ilegibilidade ou ao clamor popular, mas nunca para um tribunal, onde se espera que o conhecimento técnico e a imparcialidade predominem sobre a questão passional”, analisou.

The New York Times
Até o respeitado jornal New York Times, dos Estados Unidos, por meio de um artigo assinado por Mark Weisbrot, nesta terça-feira, 23, questionou o julgamento do ex-presidente. “A evidência contra o Sr. da Silva está muito abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, no sistema judicial dos Estados Unidos. Ele é acusado de ter aceitado um suborno de uma grande empresa de construção, chamada OAS, que foi processada no esquema de corrupção ‘Carwash’, no Brasil. Esse escândalo de vários bilhões de dólares envolveu empresas que pagam grandes subornos a funcionários da Petrobras, empresa estatal de petróleo, para obter contratos a preços grosseiramente inflacionados. O suborno alegadamente recebido pelo Sr. da Silva é um apartamento de propriedade da OAS. Mas não há provas documentais de que o Sr. da Silva ou sua esposa já tenham recebido títulos, alugados ou mesmo ficaram no apartamento, nem que tentaram aceitar esse presente”, afirma o periódico.

Dilma Rousseff
Em Porto Alegre, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), questionou a condenação de Lula. “Por que ele está sendo condenado sendo inocente? Enquanto isso outros, com gravações, com mala de dinheiro, subindo e descendo, estão protegidos e podem concorrer livremente e não estão submetidos à Justiça”, disse Dilma.

Requião
Também em Porto Alegre, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), em entrevista ao editor da Revista Fórum, Renato Rovai, disse que a ausência de Lula nas eleições deste ano interessam ao capital estrangeiro. “A OAS queria fazer a gentileza típica que as empreiteiras fazem (doação do tríplex), mas Lula não aceitou. O que acontece hoje é uma jogada política contra a candidatura do Lula. Eu fui oposição à política econômica do governo Lula. Mas não vou usar os mesmos critérios do Moro para julgá-lo. O Moro se apaixonou pelos EUA, não sei porque. Eles querem tirar o Lula do processo eleitoral. Isso serve aos americanos, ingleses, franceses, enfim, aos estrangeiros. Estamos perdendo o controle da energia elétrica, perdemos as garantias trabalhistas, eles estão acabando com o Estado Social no Brasil”, disse.

Lula
Quando Lula começou a falar na tarde desta terça, 23, cerca de 80 mil pessoas já estavam nas imediações da Esquina Democrática, em Porto Alegre. “Carrego a tranquilidade dos inocentes, daqueles que não cometeram nenhum crime. As pessoas têm que entender que não estou preocupado comigo. Estou preocupado com o povo brasileiro. Eles estão desmontando o Prouni, o Fies, as escolas técnicas”, afirmou o ex-presidente.

Independente do resultado do julgamento desta quarta-feira, 24, Lula afirmou que não deixará as ruas. “Só uma coisa vai me tirar das ruas desse país e será o dia que eu morrer. Até lá estarei lutando por uma sociedade mais justa. Qualquer que seja o resultado do julgamento, eu seguirei na luta pela dignidade do povo nesse país. Precisamos da participação do povo para recuperar esse país. Para isso, a esquerda vai se reunir não em torno de um candidato, mas em torno de um projeto”.

O ex-presidente também não poupou críticas à imprensa brasileira e citou o artigo do New York Times. “Se tem uma coisa que não me conformo é o complexo de vira-lata, inclusive da imprensa brasileira. Uma imprensa que não tem compromisso com a verdade, que não tem respeito, que se protege escondendo as coisas. Leiam o New York Times de hoje que vocês vão ver coisas que a imprensa brasileira não tem coragem de publicar. Eu duvido que os jornalistas que escrevem mentiras a meu respeito e que o William Bonner durmam todo dia com a consciência tranquila. Eles sabem que eles estão mentindo”, finalizou.

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